Republicano 'pró-Brasil' deixará Senado dos EUA

O Brasil perderá, a partir de 2013, um de seus maiores defensores no Congresso americano. Após 35 anos no Senado, o republicano Richard "Dick" Lugar foi derrotado ontem nas primárias do Estado de Indiana pelas forças do ultraconservador Tea Party e não concorrerá a sua sétima reeleição, em novembro.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2012 | 03h07

Moderado, Lugar sobrevivia à guinada do Partido Republicano à direita radical e era reverenciado como o mais atuante e preparado membro da Comissão de Relações Exteriores do Senado. Em dezembro, ele advertira para a necessidade de os EUA adotarem uma "política visionária de expansão de comércio" com o Brasil, sob pena de perder empregos e oportunidades de negócios "para sempre".

Ele criticou também a ausência de ambição na agenda do presidente americano, Barack Obama, para o Brasil. "Os EUA deveriam ter no Brasil seu mais importante parceiro comercial", disse. "No plenário, o senador defendia interesses brasileiros na área agrícola, o fim das barreiras à importação de etanol e um acordo para eliminar a bitributação", lembrou Célia Feldpausch, diretora da Coalizão das Indústrias do Brasil, lobby do setor em Washington. "Sem Lugar, ficamos sem nenhum simpatizante do Brasil no Congresso americano", lamentou.

O republicano, de 80 anos, enfrentou uma campanha dura apenas em sua primeira eleição para o Senado, em 1976. Desde então, vinha se reelegendo sem grande esforço. Neste ano, o secretário do Tesouro de Indiana, Richard Mourdock, obteve 60% dos votos nas primárias graças ao apoio do Tea Party e de outros grupos da direita radical republicana, entre os quais a Associação Nacional do Rifle.

Ao ser informado do resultado, Lugar lamentou as "profundas divisões políticas". Ele naufragou em razão de suas posições alinhadas com as da Casa Branca. Nos últimos três anos, votou a favor das indicações de Obama à Suprema Corte e de projetos de lei repudiados pelos republicanos - como a concessão de cidadania aos filhos de imigrantes ilegais nascidos nos EUA e o pacote de socorro aos bancos. Lugar acabou tachado pelos rivais, em Indiana, como "amigo" do presidente. "Embora Dick e eu não tenhamos sempre concordado, eu o vi frequentemente disposto a fazer concessões aos adversários para ter um projeto aprovado", afirmou Obama, em comunicado. / D.C.M

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