Republicano recusa-se a abandonar disputa pelo Senado

Deputado criticado por declaração sobre estupro volta a dizer que é candidato, apesar da pressão do partido

JEFFERSON CITY, EUA, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h03

O deputado republicano Todd Akin - que disputa um posto de senador pelo Missouri e provocou indignação generalizada por ter declarado, no domingo, que mulheres vítimas de "estupro legítimo" raramente engravidam - afirmou ontem na TV que não seguirá o conselho do candidato à presidência de seu partido, Mitt Romney, que pediu que ele abandone a disputa pelo Senado. "Isso não tem nenhuma relação com o meu ego", disse Akin.

Os republicanos estão preocupados com a possibilidade de que as declarações de Akin os prejudiquem na tentativa de obter a maioria no Senado - que seu partido já tem na Câmara dos Deputados. Pesquisas realizadas antes da declaração mostram o Partido Republicano empatado com o Democrata na disputa por vagas no Senado, com 50 para cada lado.

Akin disse ontem à emissora ABC que o vice de Romney, Paul Ryan, pediu pelo telefone que ele deixe a disputa. O deputado afirmou ter respondido que "não é direito do partido passar por cima" da vontade do eleitores do Missouri, que sabem, segundo ele, que estão escolhendo um candidato "perfeito" para o Senado.

Segundo sondagens, Akin tem uma vantagem de 5 pontos porcentuais sobre a senadora democrata Claire McCaskill, candidata à reeleição. Na terça-feira, porém, uma pesquisa mostrou que a diferença havia diminuído para 1 ponto. "O povo de Missouri me escolheu. Essa foi uma decisão do povo, não de líderes partidários", disse Akin.

No entanto, o deputado deixou aberta a possibilidade de ele renunciar à candidatura. "Não posso dizer o que ocorrerá (daqui para a frente). Não sei o futuro."

Akin fez o comentário sobre estupro ao responder a uma pergunta que questionava sua posição sobre o aborto em casos de gravidez decorrente de agressão sexual.

Às vésperas da Convenção Republicana, o partido teme que a questão custe o voto das mulheres, dos eleitores moderados e dos independentes. / AP e NYT

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