Jim Cole / Arquivo/AP
Jim Cole / Arquivo/AP

Republicano Ted Cruz anuncia que pretende disputar presidência

Integrante do Tea Party, que representa a extrema direita do Partido Republicano, senador defende medidas conservadoras para os EUA

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

23 Março 2015 | 11h41


WASHINGTON - Com um discurso carregado de referência a Deus e defesa de posições ultra conservadoras, o senador Ted Cruz se tornou o primeiro republicano a anunciar que pretende disputar a presidência dos Estados Unidos, no próximo ano. Falando a uma plateia de estudantes cristãos na manhã desta segunda-feira, 23, ele propôs acabar com a Receita Federal, revogar o Obamacare - a reforma de saúde de Barack Obama - e se colocar contra o direito ao aborto, ao casamento gay e a qualquer restrição ao porte de armas. 

Cruz também propôs uma política externa agressiva, com apoio incondicional a Israel e uma posição intransigente em relação ao Irã e seu programa nuclear. Integrante do Tea Party, que representa a extrema direita do Partido Republicano, ele conclamou seus seguidores a iniciarem um movimento de base para sustentar seu nome.

Seu principal desafio é vencer as primárias do Partido, em uma disputa com pelo menos meia dezena de outros pré-candidatos. O preferido da ala tradicional do partido é o ex-governador da Flórida Jeb Bush, filho e irmão e ex-presidentes americanos. Mas o herdeiro de George H. Bush não é considerado conservador o bastante pela base republicana que vota nas primárias e costuma ter posições mais à direita que o eleitor médio. 

Em seu discurso, Cruz mesclou política e cristianismo, defendeu o "excepcionalismo americano" e disse que os EUA continuam a ser o país "indispensável" no mundo. "Deus abençoou a América desde o começo desta nação", disse aos estudantes da Liberty University, que se apresenta como a maior universidade cristã do mundo.

O segundo mais longo aplauso veio no momento em que criticou o presidente Barack Obama por seu distanciamento em relação ao primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que no início do mês fez um discurso no Congresso americano contra a negociação em torno do programa nuclear do Irã promovida por Washington. Em vez de "boicotar" Netanyahu, os EUA devem se colocar ao lado de Israel de maneira irrestrita, afirmou Cruz. 

A religião permeou todo o pronunciamento, em referências à sua história pessoal e na sua visão do país que pretende governar. Segundo Cruz, a "promessa da América" vem da da "visão revolucionária" de que os direitos no país não provêm dos homens, mas de "Deus todo-poderoso".

Filho de um cubano que emigrou para os EUA dois anos antes da Revolução de 1959, Cruz contou que o pai abandonou a família quando ele tinha 3 anos de idade, mas retornou depois de "encontrar Jesus" em uma igreja batista de Houston, Texas. Como a maioria dos descendentes de cubanos, Cruz é contrário à política de aproximação com a ilha anunciada por Obama em dezembro.

Com 44 anos e em seu primeiro mandato no Senado, Cruz foi um dos líderes do movimento que levou ao fechamento do governo por 16 dias em 2013. Na época, ele e seus aliados condicionaram a votação do Orçamento à retirada de recursos do Obamacare, a reforma do sistema de saúde que é uma das principais bandeiras do atual presidente. O Orçamento acabou aprovado e o grupo de Cruz foi responsabilizado pelo desgaste que os republicanos sofreram perante a opinião pública. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.