Republicanos acusam Obama de escolha 'anti-Israel' para a Defesa

Sob críticas da oposição, presidente dos EUA deve indicar hoje ex-senador Chuck Hagel para lugar de Leon Panetta

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2013 | 02h10

O presidente Barack Obama deve indicar hoje o ex-senador Chuck Hagel para o cargo de secretário da Defesa, segundo fontes da Casa Branca. A decisão vai contra setores do Partido Republicano e de grupos radicais pró-Israel, que acusam o veterano da Guerra do Vietnã de ser "demasiadamente crítico" ao Estado judeu, indulgente com o Irã e favorável a cortes excessivos no Pentágono. A controvérsia pode fazer com que a indicação só ocorra nos próximos dias.

A nomeação de Hagel para o lugar de Leon Panetta será submetida ao Senado, onde republicanos prometem travar uma dura batalha.

A Casa Branca recuou recentemente de um confronto com senadores de oposição que prometiam vetar o nome de Susan Rice, atual embaixadora dos EUA na ONU, para a chefia do Departamento de Estado. Criticada por suas declarações após o ataque contra o consulado americano em Benghazi, em setembro, Rice foi preterida. O senador democrata John Kerry foi confirmado no cargo no último mês.

Representante de Nebraska no Senado até 2008, Hagel causou irritação entre setores conservadores dos EUA ao votar contra leis impondo sanções unilaterais a Teerã. Ele também criticou o que chamou de "lobby judaico" em Washington. Em 2011, disse ao jornal Financial Times que o orçamento do Pentágono estava "transbordando".

Organizações pró-Israel próximas ao Partido Democrata defendem o nome de Hagel e a bancada governista no Congresso promete lutar por sua confirmação. Os democratas têm maioria no Senado, cuja Comissão de Relações Exteriores tem o dever constitucional de aprovar os indicados a postos-chave do governo.

Mesmo aliados de Obama questionam, entretanto, se a disputa em torno de Hagel não consumirá um precioso capital político da Casa Branca em um momento de negociação com os republicanos sobre temas como o teto da dívida e o abismo fiscal. O líder da bancada republicana no Senado, Mitch McConnell, afirmou que "muitas questões duras serão colocadas ao ex-senador". / AP

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