REUTERS/Jonathan Bachman
REUTERS/Jonathan Bachman

Republicanos apresentam plano para substituir Obamacare

Quatro senadores do partido dizem que votarão contra qualquer medida que retire cobertura de beneficiados, o que deve dificultar aprovação das propostas

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2017 | 23h09

Os republicanos na Câmara dos Deputados dos EUA apresentaram ontem sua proposta para a rejeição da reforma do sistema de saúde de 2010 que integra o legado deixado pelo ex-presidente Barack Obama. Mas em um sinal das dificuldades que a legenda terá para cumprir uma de suas principais promessas, quatro de seus senadores disseram que votarão contra qualquer medida que retire cobertura de pessoas beneficiadas pelo sistema.

Como os republicanos têm uma maioria de 52 dos 100 senadores, uma deserção dessa magnitude inviabiliza a aprovação de eventuais propostas que venham da Câmara dos Deputados.

A legenda de Donald Trump tenta há sete anos revogar o chamado Obamacare, cuja rejeição também esteve entre as promessas feitas pelo presidente durante sua campanha à Casa Branca. A proposta divulgada ontem mantém as duas mais populares características da reforma: a permanência de filhos nos planos de seus pais até a idade de 26 anos e a proibição da recusa de segurados em razão de condições pré-existentes.

O projeto dos republicanos também substitui os subsídios diretos para a compra de seguro-saúde por um sistema de deduções tributárias que serão graduadas de acordo com a renda e a idade dos beneficiários. Os incentivos fiscais seriam destinados aos que possuem renda anual menor que US$ 75 mil e teriam valor inferior aos subsídios concedidos atualmente.

A proposta também acaba com a multa aplicada aos que não compram seguro-saúde, que atinge principalmente jovens saudáveis. Segundo o governo Obama, o mecanismo era essencial para garantir a expansão da cobertura para os que são mais velhos e possuem condições médicas pré-existentes.

A versão apresentada na segunda-feira enfrenta críticas da ala conservadora da legenda, que quer a eliminação de qualquer incentivo público para a expansão da cobertura de saúde, e também dos republicanos moderados, que se opõem a mudanças que levem à perda do seguro-saúde por pessoas beneficiadas pelo Obamacare.

A reforma promovida pelo ex-presidente concedeu subsídios federais para os Estados que expandissem o Medicaid, o programa que beneficia os pobres e os portadores de deficiência.

“Nós não vamos apoiar um plano que não inclua estabilidade para a expansão populacional do Medicaid nem flexibilidade para os Estados”, disseram em carta os quatro senadores republicanos que podem votar contra a proposta de seu partido.  

 

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