Republicanos atacam Hillary, favorita para suceder a Obama

Ex-secretaria de Estado é acusada de negligência em ataque a consulado na Líbia e de não incluir Boko Haram em lista do terror

Cláudia Trevisan, Correspondente - O Estado de S.Paulo

09 Maio 2014 | 02h08

WASHINGTON - Principal nome do Partido Democrata à sucessão de Barack Obama, Hillary Clinton está sob ataque do Partido Republicano por duas ações adotadas pelo Departamento de Estado sob seu comando. A recusa em incluir o grupo nigeriano Boko Haram na lista dos EUA de organizações terroristas e a reação ao ataque que matou quatro americanos na cidade líbia de Benghazi, em 2012, entre eles o embaixador Christopher Stevens.

Os republicanos se preparavam ontem para criar a quinta comissão legislativa para investigar a resposta do governo Obama à investida contra o consulado em Benghazi, no dia 11 de setembro de 2012, quando Hillary era responsável pela política externa do país.

Segundo o site Politico.com, as investigações realizadas até agora produziram 13 depoimentos e 25 mil páginas de documentos. Os republicanos sustentam que o governo ocultou de maneira deliberada o caráter terrorista do ataque para evitar que tivesse impacto negativo sobre a eleição presidencial, realizada em novembro de 2012.

A Casa Branca nega a acusação, diz que a oposição elabora "teorias conspiratórias" e sustenta que os republicanos politizam a tragédia.

A criação da nova comissão é dada como certa, já que os republicanos detêm a maioria na Câmara. O que não está claro é se os democratas indicarão membros. Representantes do partido se reuniram hoje para adotar uma posição.

Além de Benghazi, Hillary é alvo de críticas pela recusa do Departamento de Estado de incluir o Boko Haram na lista de organizações terroristas internacionais divulgada todos os anos pelos EUA. O caso voltou à tona depois do sequestro de quase 300 meninas adolescentes pelo grupo no dia 14.

Reportagem publicada pela agência Reuters, em 2012, revelou que o Departamento de Estado resistiu a pressões do Departamento de Justiça para classificar o Boko Haram como terrorista. Isso só ocorreu no ano passado, na gestão de John Kerry.

Os ataques ganharam mais força depois que a ex-secretária de Estado condenou a ação dos terroristas nigerianos na quarta-feira. Segundo ela, o sequestro das adolescentes "é abominável, um ato de terrorismo e merece a mais forte resposta possível, primeiro e acima de tudo do governo da Nigéria". Seus críticos a acusaram de "cinismo" e disseram que a demora na inclusão do Boko Haram na lista de grupos terroristas acabou beneficiando o grupo.

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