Republicanos barram lei que diminuiria proteção a suspeitos de terrorismo

Quatro republicanos de uma comissão do Senado americano desafiaram nesta quinta-feira o presidente George W. Bush ao aprovarem um projeto de lei relacionado à guerra ao terror que o presidente prometeu bloquear. Por 15 votos a 9, a Comissão das Forças Armadas deu seu aval a um projeto dos democratas que dará aos suspeitos de terrorismo maior proteção legal do que Bush queria. A manobra aprofunda ainda mais as divisões dentro do Partido Republicano a poucos meses das eleições para o Congresso.A votação foi proposta pelo presidente da Comissão, o senador republicano John Warner, que apoiou os oposicionistas democratas durante a votação. Com o resultado, o projeto poderá ser levado ao plenário do Senado já na semana que vem. A legislação foi aprovada mesmo após o presidente ter ido pessoalmente à Câmara dos Representantes para pedir aos legisladores de seu partido que endossassem o projeto da Casa Branca, em tramitação na Casa. "Eu irei resistir a qualquer lei que impeça esse programa de continuar dentro da legalidade", disse Bush na Casa Branca após se encontrar com os legisladores no Congresso.A proposta de Bush, que corre na Casa dos Representantes, era mais dura que a do Senado porque impediria o acesso dos acusados de terrorismo às evidências contra eles nos julgamentos, admitiria depoimentos obtidos por meio de coerção e protegeria os interrogadores americanos de processos judiciais se usassem métodos que violassem as Convenções de Genebra.PowellOutro embaraço para Bush foi o fato de seu ex-secretário de Estado, Colin Powell, ter divulgado antes da votação uma carta em que expressava sua oposição ao pacote da Casa Branca. "O mundo começa a duvidar da base moral da luta contra o terrorismo", escreveu Powell. Redefinir o Artigo 3º, que proíbe a tortura e todo tratamento degradante a um prisioneiro, "vai ampliar essas dúvidas. Além do mais, colocará nossos soldados sob risco", acrescentou.A resposta da Casa Branca veio com o porta-voz do governo, Tony Snow, que disse que Powell não entendeu o plano de Bush. Mais tarde, Snow acrescentou: "Eu sei que o Colin Powell também quer derrotar os terroristas."A contra-ofensiva veio também com uma carta produzida pela administração, desta vez escrita pela atual secretária de Estado, Condoleezza Rice, e endereçada ao senador Warner. Na missiva, Condoleezza afirma que o endurecimento nos padrões de tratamento proposto por Bush "irá adicionar definições e clarificações para termos vagos contidos nos tratados".Durante seu pronunciamento, Snow também reforçou as ameaças de Bush: "O presidente não aceitará algo que mine o programa" para o interrogatório de detentos. Apesar do revés sofrido pela administração, Bush ainda possui muitos aliados no Congresso, incluindo líderes na Câmara dos Representantes e no Senado, além de conservadores que querem atrelar sua imagem aos programas antiterrorismo defendidos pelo presidente.Após sua reunião com os representantes republicanos, Bush disse que "continuará a trabalhar com membros do Congresso para obter uma boa legislação". Ele elogiou o projeto de lei da Câmara, e não mencionou a versão do Senado. Ainda assim, os negociadores do Senado e da Câmara terão que contrabalançar suas diferenças antes de enviar a lei para a aprovação presidencial.Texto atualizado às 21h53

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