T.J. Kirkpatrick/The New York Times
T.J. Kirkpatrick/The New York Times

Republicanos barram votação de mecanismo que protegeria imigrantes venezuelanos de deportação 

Alinhados com desejo do presidente Trump de não conceder medida, senadores disseram que só a votarão quando voltarem de recesso, daqui a seis semanas

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 18h22

WASHINGTON - Maioria no Senado dos Estados Unidos, políticos do Partido Republicano impediram nesta terça-feira, 30, uma votação sobre a concessão do Status de Proteção Temporário (TPS, em inglês) para imigrantes venezuelanos, uma iniciativa que havia sido aprovada na semana passada pela Câmara dos Deputados, cuja maioria é do Partido Democrata.

Marco Rubio, senador republicano pela Flórida que tinha promovido com o senador Bob Menéndez (democrata por New Jersey) uma versão desse projeto de lei, informou que o Senado não votará a iniciativa antes do recesso de seis semanas.

Menéndez e o também democrata Dick Durbin, senador por Illinois, tentaram a aprovação por unanimidade, um procedimento que permite pular os trâmites nas comissões para se conseguir um acordo, mas esse procedimento falha caso algum senador não o apoie.

O republicano Mike Lee, de Utah, se opôs ao pedido de Menéndez e Durbin para o trâmite rápido do TPS, um benefício que conta com a oposição do governo do presidente Donald Trump. Na semana passada, o diretor de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, Mauricio Claver-Carone, admitiu que o havia descartado a possibilidade de incluir os venezuelanos no TPS.

"A aprovação por unanimidade não é a forma como deveríamos aprovar essa legislação", argumentou Lee, ao indicar que os senadores precisam de mais tempo para estudar a proposta da Câmara dos Deputados para apresentar emendas.

A deputada democrata Donna Shalala, da Flórida, disse que estava "profundamente decepcionada pelas ações do senador Lee e de seus colegas republicanos, que bloquearam essa legislação destinada a salvar vidas".

"Mas não posso dizer que estou surpresa. Durante anos, os republicanos se envolveram na bandeira venezuelana e se proclamaram campeões da restauração democrática na Venezuela, mas, virtualmente, em cada oportunidade que há para ajudar o povo venezuelano, os líderes republicanos no Senado, a Câmara dos Deputados e o governo, de maneira coerente, os abandonaram", sustentou Shalala.

Deportações

Rubio, que afirmou à imprensa que não espera nenhuma ação no Senado até o fim da semana, acrescentou que tem a esperança que o governo faça algo sobre os venezuelanos. Segundo especialistas, o governo republicano tem deportado milhares de venezuelanos e cubanos junto com outras nacionalidades latinas recentemente.

Vários congressistas republicanos e funcionários da Casa Branca se recusam a estender o TPS aos imigrantes da Venezuela, e ao mesmo tempo querem dar fim a esses benefícios concedidos aos cidadãos de outros países.

No Partido Republicano, os senadores Rubio e Rick Scott e o deputado Mario Díaz-Balart são a favor de dar aos venezuelanos esse benefício, que lhes permitiria residir e trabalhar legalmente nos Estados Unidos pelo tempo que vigorar a medida.

A Câmara dos Deputados aprovou a concessão do TPS aos imigrantes venezuelanos na quinta-feira passada. A proposta recebeu 272 votos a favor e 158 contra, e foi encaminhada ao Senado.

Horas antes da votação na câmara, o deputado democrata Darren Soto, da Flórida, disse em entrevista coletiva que a situação da Venezuela "é grave".

"Esse é exatamente o tipo de situação que necessita o programa do Status de Proteção Temporário", afirmou Soto, ao destacar que os venezuelanos representam o maior grupo de solicitantes de asilo nos Estados Unidos.

O TPS é um programa migratório criado em 1990 com o qual os EUA concedem permissões de forma extraordinária aos cidadãos de países afetados por conflitos bélicos ou desastres naturais.

Desde então, os Estados Unidos concederam o TPS a países como Honduras e Nicarágua após a passagem do devastador furacão Mitch, em 1998; a El Salvador por causa de uma série de tremores, em 2001; ao Haiti, em 2010, pelo seu catastrófico terremoto; e ao Sudão, em 2014, por causa do conflito do Sudão do Sul. Desde que chegou ao poder em 2017, Trump tem revogado esse mecanismo a vários grupos. / EFE

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