Republicanos bloqueiam resolução contra novo plano de Bush

A minoria republicana do Senado norte-americano conseguiu bloquear nesta segunda-feira uma resolução não vinculativa de rejeição ao envio de mais tropas ao Iraque. O texto, promovido pelo senador republicano John Warner e pelo democrata Carl Levin, expressava a oposição dos legisladores ao envio de mais 21,5 mil soldados ao Iraque.Os senadores republicanos se pronunciaram contra a imposição de um tempo limite para o debate da moção, o que, na prática, permite que as intervenções dos legisladores se prolonguem indefinidamente e impede que a resolução seja votada.A proposta para limitar o debate sobre a resolução bipartidária precisava do apoio de pelo menos 60 dos 100 senadores para passar, mas, no fim, obteve 49 votos a favor e 47 contra.O resultado da votação mina os esforços da oposição democrata de expressar sua rejeição à nova estratégia de Bush para o Iraque, pelo menos de forma simbólica. No entanto, nem esta nem outras medidas derivarão na suspenderão do financiamento da guerra do Iraque ou da liberação de verbas para tropas.Além de opor-se ao envio de mais soldados ao Iraque, a medida Warner-Levin, elaborada para responder ao descontentamento popular com a guerra, exigia da Administração de Bush metas específicas para o governo iraquiano. Também pedia o estabelecimento de uma clara linha de comando entre as forças iraquianas e as forças americanas.Antes da votação, tanto democratas como republicanos se envolveram num ardoroso debate sobre a situação no Iraque. Os democratas, liderados pelo senador Harry Reid, frisaram que um voto contra a imposição de limites para o debate seria dar sinal verde a uma estratégia militar fadada ao fracasso."Seria um voto a favor de uma escalada" do conflito, disse Reid, que pediu aos senadores que enviassem a Bush a mensagem de que "uma escalada não é a solução". Já os republicanos, também entrincheirados em suas posições, rejeitaram as críticas de "obstrucionismo" lançadas contra eles pelos democratas."Não estamos tentando frear este debate, mas estruturá-lo. Não há nenhum senador republicano tentando evitar este debate", respondeu o líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell.Apesar de os democratas terem sido derrotados em sua primeira grande prova como maioria no Senado, eles transpareceram que não se darão por vencidos e buscarão uma forma de mudar o rumo da guerra no Iraque. Não está claro qual seria a nova estratégia política dos democratas.A maioria dos democratas apóia a retirada, imediata ou paulatina, dos cerca de 130 mil soldados americanos agora posicionados no país árabe. Mas os republicanos insistem em que o plano de Bush merece uma oportunidade, uma vez que uma retirada do Iraque envia um sinal equivocado às tropas americanas e beneficia o inimigo.O que é certo é que o conflito armado nesse país já provocou a morte de mais de 3 mil soldados americanos e de centenas de milhares de iraquianos civis, além do deslocamento interno de mais de um milhão de pessoas. Desde o princípio, Bush deixou claro que não haveria resolução não vinculativa que o fizesse mudar de estratégia no Iraque.A votação da resolução coincide com a entrega formal pela Casa Branca do Orçamento para o ano fiscal 2008, que começa em 1º de outubro. A solicitação inclui US$ 141,7 bilhões para as campanhas militares no Iraque e no Afeganistão e a luta antiterrorista, embora não especifique o custo do envio de tropas adicionais.A Casa Branca também pediu, para o ano fiscal em curso, mais US$ 93,4 bilhões para as mesmas frentes, em cima dos US$ 70 bilhões já aprovados para este ano. Caso o pedido seja aprovado, os EUA terão gato US$ 661,9 bilhões em fundos militares para essa região desde que lançou sua luta global contra o terrorismo em 2001.

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