Republicanos bloqueiam tentativa para acabar com programa de escutas

Senadores republicanos dos Estados Unidos bloquearam nesta quarta-feira as tentativas dos democratas de acabar com o programa de escutas telefônicas domesticas do presidente George W. Bush, endossando um projeto de lei apoiado pela Casa Branca que pode dar a essa controversa vigilância um status legal. Sob pressão da administração Bush para uma rápida ação, o Senado poderá aprovar a medida ainda na próxima semana.Um projeto de lei semelhante que corre na Casa dos Representantes não recebeu o mesmo apoio que o do Senado porque os líderes republicanos e Bush negociam retirar as restrições que ele imporia contra o programa de vigilância. A proposta de lei do Senado foi elaborada pelo chefe do Comitê Judiciário do Senado, Arlen Specter.Os acontecimentos vêm em meio a uma campanha da Casa Branca para convencer o Congresso a lhe dar maior autoridade para monitorar, interrogar e processar suspeitos de terrorismo.A administração Bush está diante de um período eleitoral no qual os republicanos terão que lutar para manter sua maioria no Senado com a aprovação de um eleitorado cansado de guerras. Por isso, não seria difícil o projeto encontrar restrições inclusive entre os republicanos.Specter acredita, no entanto, que os congressistas lutando pela reeleição não irão barrar uma medida com o selo de aprovação de Bush.Embora recusem dar um cheque em branco para que Bush continue sua guerra ao terror, republicanos do Comitê Judiciário do Senado lutam para que o projeto de lei dando status legal ao programa de vigilância passe sem sobressaltos. Porém, isso ainda não está garantido no plenário do Senado, onde a medida deverá sofrer diversas emendas. Algumas medidas relativas ao programa já foram aprovadas no plenário, sendo que parte delas contradizem o projeto de lei de Specter - o que possivelmente irá gerar mais debate no Senado.Porém, o projeto de lei de Specter sobreviveu à votação do comitê sem ser alterado. Os republicanos derrotaram várias emendas dos democratas, incluindo medidas restritivas ao projeto, como a que impõe um prazo de validade de um ano para a lei. Os democratas também foram derrotados em um pedido para que a Agência Nacional de Segurança, responsável pelas escutas, reporte-se ao Congresso sobre o programa com maior freqüência."Nós apenas não queremos ver os direitos dos americanos sendo violados nos próximos 50 ou 60 anos por um descuido nosso", disse a senadora Dianne Feinstein, uma democrata que apoiou os republicanos na oposição a algumas das emendas propostas por seus colegas.Para os republicanos, no entanto, o projeto de lei é a melhor proposta sobre o assunto e não deve ser emendado.O projeto faz parte de uma campanha da Casa Branca para preservar sua habilidade de lutar a guerra contra o terror; a contragosto do Congresso, que se preocupa com as liberdades civis.

Agencia Estado,

13 de setembro de 2006 | 20h21

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