Republicanos conquistam maioria no Senado dos EUA

Republicanos conquistam maioria no Senado dos EUA

Vitória do partido de oposição a Obama foi mais expressiva do que havia sido projetado

Cláudia Trevisan, Correspondente / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

05 Novembro 2014 | 05h16



O Partido Republicano conquistou nessa terça-feira, 5, a maioria do Senado americano, em uma derrota devastadora para o Partido Democrata e o presidente Barack Obama, que enfrentará um Congresso hostil nos seus dois últimos anos de mandato. A vitória foi mais expressiva do que o projetado antes das eleições e incluiu a ampliação da vantagem republicana na Câmara dos Representantes e a conquista de Estados tradicionalmente democratas, entre os quais Illinois, onde Obama fez sua carreira política.

No início da madrugada desta quarta-feira, a oposição já tinha garantido 52 das 100 vagas do Senado e poderia ganhar mais 1 ou 2. Projeções indicavam que os republicanos também poderiam ampliar em até 15 cadeiras sua maioria na Câmara dos Representantes - atualmente, a legenda detém 233 das 435.

A vitória levará os republicanos de volta ao controle do Senado pela primeira vez em oito anos, em uma eleição que dá a largada para a corrida presidencial de 2016. Energizados pelos resultados da disputa de ontem, os oposicionistas começarão a se articular para tentar voltar à Casa Branca dentro de dois anos. 

Os democratas foram derrotados em Estados onde Obama ganhou suas duas disputas presidenciais, como Colorado e Iowa, enquanto os republicanos mantiveram suas cadeiras em Estados nos quais era esperado um confronto mais acirrado entre os candidatos. Pesquisas indicavam que haveria segundo turno na Geórgia, mas o republicano David Perdue obteve 56% dos votos e venceu com uma diferença superior a dez pontos percentuais da democrata Michelle Nunn.

Em Illinois, o governador Pat Quinn foi derrotado pelo republicano Bruce Rauner, apesar de Obama ter atuado como seu cabo eleitoral. O resultado representa uma reversão na posição dos eleitores do Estado, que escolheram democratas nas últimas três disputas para governador e nas seis para presidente. 

A derrota democrata mais surpreendente ocorreu em Maryland, um dos Estados mais fiéis ao partido, ao qual garantiu vitórias em todas as eleições presidenciais desde 1992. Na disputa de 2012, Obama obteve 62% dos votos e ficou 26 pontos percentuais à frente de Mitt Romney em Maryland. Com 91% dos votos apurados, o republicano Larry Hogan liderava com 52% dos votos, cinco pontos percentuais a mais que Anthony Brown, que aparecia em primeiro lugar na maioria das pesquisas de opinião. 

Os republicanos também venceram a disputa pelo governo de Massachusetts, Estado onde os democratas ganharam as sete últimas eleições presidenciais. Em 2012, Obama obteve 61% dos votos em Massachusetts, 23 pontos percentuais a mais que os 38% conquistados por Romney.  

"Essa noite foi incrível para os republicanos", declarou o senador Ted Cruz, um dos principais líderes do Tea Party, a ala mais radical do partido. "O resultado é uma forte rejeição da agenda de Obama." Segundo ele, a tarefa mais importante da oposição será a ofensiva para reverter o Obamacare, a reforma do sistema de saúde que é o principal legado da gestão do presidente democrata.

A grande dúvida é se os republicanos usarão seu poder para continuar obstruindo a agenda legislativa de Obama ou se poderão colaborar com o presidente em áreas nas quais existem interesses coincidentes, como reforma tributária e autorização para negociação de acordos comerciais com outros países. 

O presidente convocou reunião na sexta-feira com representantes dos dois partidos para discutir os passos que serão dados a partir de agora no relacionamento entre a Casa Branca e o Congresso. 

Apesar de a economia americana ter registrado crescimento anualizado de 3,5% no terceiro trimestre e o desemprego ter caído para 5,9%, os eleitores continuam insatisfeitos com a situação do país. Levantamento divulgado pela CNN depois da votação indicou que a economia era a principal questão para 45% dos que foram aos locais de votação ontem. Em segundo lugar aparecia a assistência médica, mencionada por 24% dos entrevistados. Para 69% dos eleitores, a situação econômica é ruim e 65% declararam que o país caminha na direção errada.

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