Republicanos defrontam-se com um desafio político

A atual configuração do Colégio Eleitoral sugere que os republicanos ficarão em desvantagem estrutural nos próximos 4 anos, pelo menos

NATE, SILVER, THE NEW YORK TIMES, É ESTATÍSTICO, ESCRITOR, NATE, SILVER, THE NEW YORK TIMES, É ESTATÍSTICO, ESCRITOR, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2012 | 02h05

Análise

Duas outras eleições, em 2016 e 2020, serão realizadas com base na atual configuração do Colégio Eleitoral, que concedeu ao presidente Barack Obama um segundo mandato. Os resultados deste ano sugerem que esse sistema pode colocar os republicanos em desvantagem estrutural.

Com base em análises preliminares dos resultados, Mitt Romney teria de ter ganhado no voto popular nacional por 3 pontos porcentuais para ter assegurada a vitória no Colégio Eleitoral. O último republicano a conseguir isso foi George H. W. Bush, em 1988.

O modelo 538 teve uma noite muito vigorosa na terça-feira, mas errou no tocante à identificação do Estado decisivo - aquele que daria ao vencedor seu 270.º voto eleitoral. Com base nas pesquisas, parecia que Ohio seria o Estado decisivo mais provável. Em vez disso, foi o Colorado, da mesma maneira que em 2008. A preocupação para os republicanos é que Obama venceu no Colorado por quase 5 pontos porcentuais (4,7 para ser exato). A margem de Obama na votação popular nacional (quando essa análise era feita) era de 2,4 pontos porcentuais. Estimamos que aumentaria para 2,5 pontos porcentuais, talvez um pouco mais, quando alguns resultados remanescentes fossem contados. Mas parece claro que Obama tinha alguma margem de sobra no Colégio Eleitoral.

Se o voto popular estivesse empatado - supondo que a margem em cada Estado mudasse de modo uniforme - o presidente mesmo assim teria sido reeleito com 285 votos no Colégio Eleitoral, conquistando o Colorado e Virgínia, mesmo perdendo Flórida e Ohio.

De fato, se Romney tivesse ganhado no voto popular por 2 pontos porcentuais, ainda assim Obama sairia vitorioso no Colégio Eleitoral, perdendo Virgínia, mas abocanhando o Colorado.

Naturalmente, a ordem relativa dos Estados pode mudar um pouco de eleição para eleição. Em 2000, afinal, foram os democratas que perderam no Colégio Eleitoral, embora tivessem saído vitoriosos no voto popular.

Olhando mais para frente, Ohio talvez deva ser uma das menores preocupações dos republicanos. Obama venceu no Estado, mas sua margem foi de 1,9 ponto porcentual, com base nos votos até agora, ligeiramente menos do que sua margem de vitória no plano nacional - e ele pode ter se beneficiado dos pacotes de ajuda que aprovou para a indústria automobilística, um evento excepcional. Mas Obama não precisou de Ohio para vencer no Colégio Eleitoral. Pelo contrário, Estados onde ocorreram mudanças demográficas, como Colorado, deram a ele respaldo suficiente.

E Ohio também não foi o único Estado de inclinação republicana a se tornar quase decisivo. As margens de Obama em Virgínia, Flórida e Carolina do Norte também foram boas, comparado com 2008. Este ano, a Virgínia, de fato, mostrava uma tendência ligeiramente mais democrata do que o país como um todo, onde Obama venceu por 3 pontos porcentuais. Na Flórida, os democratas foram favorecidos pelos eleitores hispânicos. Os latinos não cubanos votaram em Obama na mesma proporção de dois para um, como no plano nacional, e o voto cubano-americano, que sempre foi para os republicanos, desta vez ficou dividido igualmente entre os dois partidos.

Obama perdeu na Carolina do Norte. Mas apenas por 2 pontos porcentuais. Al Gore perdeu em 2002 no Estado por 13 pontos porcentuais, apesar de vencer o voto popular nacional. Se esses Estados estão com inclinação mais democrata, quais estão mudando na direção dos republicanos? No Missouri, outrora um Estado incerto, hoje é solidamente republicano. E na Virgínia Ocidental, que antes tinha inclinação democrata suficiente para Michael Dukakis vencer em 1988, Romney venceu por 27 pontos.

O problema dos republicanos é que nesses Estados e em outros, como Tennessee, Kentucky e Arkansas, eles venceram por amplas margens, mas os votos que conquistaram estavam distribuídos de modo ineficiente em termos de Colégio Eleitoral.

Inversamente, existe um grande número de Estados críticos do ponto de vista eleitoral - Estados decisivos tradicionais como Iowa e Pensilvânia e alguns mais recentes como Colorado e Nevada, que penderam para os democratas nas duas eleições passadas. Se os democratas perdessem a eleição de lavada, provavelmente perderiam esses Estados também. Mas numa eleição acirrada, eles foram favorecidos. O Partido Republicano terá quatro anos para se adaptar a essa nova realidade. Mas se os partidos continuarem no mesmo caminho, esta não terá sido a última eleição em que muitos Estados decisivos votarão para os democratas. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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