Republicanos devem assumir posição contra o ódio

Uma deputada democrata levou um tiro na cabeça; outras 12 pessoas também foram feridas. Ainda não há provas de que foi um atentado político, mas os indícios apontam que sim.

Paul Krugman, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2011 | 00h00

A deputada foi alvo de violência anteriormente. E para os que perguntam por que uma parlamentar moderada, com quem os republicanos poderiam muito bem trabalhar, pode se tornar alvo de um atentado, a resposta é: Gabrielle Giffords é uma democrata que sobreviveu ao que foi uma vitória avassaladora dos republicanos no Arizona, exatamente porque o Partido Republicano indicou uma ativista do Tea Party. (O pai dela diz que "o Tea Party inteiro" era seu inimigo). E, sim, ela foi incluída na infame lista de Sarah Palin dos "que estão na mira."

Vejo que Sarah Palin qualificou o atentado de "trágico". OK, um pouco de história: os membros da direita ficam furiosos com qualquer pessoa que qualifica o 11 de Setembro como tragédia, insistindo que não foi uma tragédia, mas uma atrocidade.

A colunista Ezra Klein observou que a oposição à reforma da saúde está ficando assustadora. Na verdade, ela está mesmo - há um certo tempo - , e de uma maneira que já fez muita gente lembrar do clima que precedeu o atentado a bomba em Oklahoma City.

Você sabe que os republicanos vão urrar sobre os males do partidarismo quando alguém tentar fazer uma relação entre a retórica de radicais como Glenn Beck, Rush Limbaugh, e outros, e a violência que, eu temo, veremos nos próximos meses e anos. Mas atos violentos ocorrem quando você cria um clima de ódio. E já passou da hora de os líderes republicanos assumirem uma posição contra os promotores do ódio.

É ECONOMISTA, GANHADOR DO NOBEL DE ECONOMIA, COLUNISTA DO "NYT" E TEM UM BLOG NO ESTADÃO.COM.BR

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