Republicanos devem controlar Senado dos EUA no fim do governo Obama

Projeção do ‘NYT’ aponta perda da Câmara Alta pelos democratas, sinal de que presidente terá dificuldade para aprovar projetos

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S. Paulo

04 Novembro 2014 | 22h57

(Atualizado às 2h)

WASHINGTON - O Partido Republicano conquistou ontem a maioria do Senado americano, em uma derrota devastadora para o Partido Democrata e o presidente Barack Obama, que enfrentará um Congresso hostil nos seus dois últimos anos de mandato, apontavam projeções feitas no começo da madrugada de hoje por analistas que acompanhavam a apuração para o New York Times. Segundo eles, a mais provável composição da Casa será de 52 membros republicanos e 48 democratas.

No início da madrugada, os republicanos estavam a apenas 1 cadeira de atingir o número mágico de 51 senadores – num momento em que ainda faltava iniciar a contagem dos votos em seis Estados.

O NYT também previa que os republicanos aumentariam em até 15 cadeiras sua bancada majoritária na Câmara dos Representantes. Eles têm 233 das 435 vagas. 

Na tarde de ontem, quando a votação ainda estava em andamento, o presidente Barack Obama atribuiu as dificuldades de seu partido nas eleições de meio de mandato a uma safra desfavorável de Estados nos quais as disputas ocorrem. “Nesse ciclo eleitoral, esse é provavelmente o pior grupo possível de Estados para os democratas desde Dwight Eisenhower”, declarou Obama, em referência ao presidente que governou os EUA de 1953 a 1961.

‪Os americanos elegeram ontem senadores em 36 dos 50 Estados. Os atuais ocupantes das cadeiras haviam sido eleitos em 2008, quando Obama venceu a presidência e ajudou democratas a chegarem ao Senado em Estados que tradicionalmente votavam no Partido Republicano. Parte desses senadores buscou reeleição ontem em um cenário mais hostil a seu partido e ao presidente, que tem 40% de aprovação. Alguns dos que se aposentaram deixaram a seus correligionários a difícil tarefa de vencer republicanos em Estados conservadores.

‪“Quando você olha para as disputas do Senado, em razão do fato de que só um terço da Casa está em disputa em cada eleição, tende a ser um pouco arbitrária a estimativa de quais cadeiras serão realmente disputadas e quais não serão”, disse o presidente em entrevista a uma rádio de Connecticut.

‪ A provável vitória na eleição de ontem dará aos republicanos o controle do Senado pela primeira vez desde 2006. Pesquisas de opinião apontavam vantagem dos republicanos na maioria dos dez Estados onde a disputa por cadeiras no Senado estava acirrada. ‪O partido precisava de seis vagas para assumir o controle da Casa, o que deixaria Obama diante de um Congresso opositor em seus dois últimos anos de mandato.

As cinco primeiras cadeiras foram garantidas em Virgínia Ocidental, Dakota do Sul, Arkansas, Montana e Colorado com a vitória dos republicanos Sheeley Moore Capito, Mike Rounds, Tom Cotton, Steve Daines e Cory Gardner, segundo projeções baseadas na apuração preliminar dos votos e pesquisas de boca de urna.

O candidato democrata em Arkansas, Mark Pryor, foi derrotado apesar do apoio de Bill e Hillary Clinton no Estado em que o ex-presidente iniciou sua carreira política.

Os republicanos tinham boas chances de vencer a disputa pelo Senado no Alasca. Em Louisiana, nenhum dos candidatos obteve 50% mais um dos votos e haverá segundo turno no dia 6 de dezembro.

O republicano Mitch McConnell conquistou a reeleição em Kentucky, derrotando a democrata Alison Grimes. Caso seu partido obtenha os seis votos necessários para controlar a Casa, McConnell deixará de ser o líder da minoria para assumir o cargo de líder da maioria.

Levantamento divulgado pela CNN indicou que a economia era a principal questão para os eleitores que compareceram aos locais de votação ontem, com 45%. Em segundo lugar aparecia a assistência médica, mencionada por 24% dos entrevistados. Para 69% dos eleitores, a situação econômica é ruim e 65% declararam que o país caminha na direção errada.

O provável controle do Senado pela oposição criará dificuldades para Obama preencher cargos do Executivo e do Judiciário que precisam de aprovação dos integrantes da Casa. Também dará à oposição o poder de criar CPIs para investigar o governo e convocar ministros e secretários para depor.

‪A dúvida é se os republicanos usarão seu poder para continuar obstruindo a agenda legislativa de Obama ou se colaborarão com o presidente em áreas nas quais existem interesses coincidentes, como reforma tributária e autorização para o presidente negociar acordos comerciais com outros países.


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