Republicanos disputam votos de pré-candidato que renunciou nos EUA

Herman Cain, que vinha sendo acusado de assédio sexual, abandonou a disputa pela Casa Branca.

BBC Brasil, BBC

03 de dezembro de 2011 | 20h48

A renúncia do pré-candidato à Casa Branca Herman Cain neste sábado abriu uma disputa no Partido Republicano pelos votos deixados pelo político. O partido está no processo de escolher quem será o candidato que enfrentará o presidente Barack Obama nas eleições presidenciais americanas, em 2012.

Cain chegou a disparar em algumas pesquisas de opinião nas últimas semanas, principalmente após o bom desempenho em alguns debates televisivos, mas recentemente foi acusado de assédio sexual e de manter um caso extraconjugal por 13 anos.

Neste sábado, Cain disse que as "falsas acusações" estavam provocando muita dor na sua família, e abandonou sua candidatura.

Cain disse que pretende anunciar seu apoio a outro dos pré-candidatos, mas que fará isso mais adiante. Ele não deu indícios de quem seria seu candidato favorito.

Para o editor de América do Norte da BBC, Mark Mardell, a grande questão agora é saber para onde vão migrar os votos de Cain.

Na avaliação do editor, a corrida pela indicação do Partido Republicano está cada vez mais reduzida a dois pré-candidatos: o ex-presidente da Câmara dos Representantes, Newt Gingrich, e o ex-governador de Massachussetts, Mitt Romney.

Para Mardell, vários pré-candidatos republicanos já tiveram bons momentos na corrida eleitoral - como Michele Bachman, Rick Perry, Rick Santorum ou Jon Huntsman - mas o único que se manteve na frente na maioria das pesquisas até agora foi Mitt Romney.

Já Newt Gingrich, que estaria se caracterizando como o principal rival de Romney, poderia ser o principal beneficiado pela renúncia de Cain.

"Se os eleitores de Cain passarem a apoiar Newt Gingrich, como analistas de pesquisas de opinião acreditam que vai acontecer, isso daria um bom impulso à ascensão de Newt", diz o editor da BBC.

"Se os eleitores se dividirem entre os candidatos, isso beneficiará Romney."

Acusações e gafe

Herman Cain, de 65 anos, fez carreira como empresário de uma cadeia de pizzas, lobista e apresentador de rádio no Estado americano da Geórgia. Ele defendia que sua pouca experiência em política e em cargos públicos era uma vantagem, e não um problema.

Ele era associado ao movimento Tea Party e tinha apoio de cristãos evangélicos e conservadores. Nos últimos meses, Cain destacou-se nos debates televisivos por seu jeito franco e popular de falar.

Sua principal proposta era o plano "9-9-9", uma política fiscal que reduziria os impostos de renda e jurídico para 9%, mas introduziria um imposto federal sobre produtos de 9%, em cima de outras tarifas já existentes.

Em outubro, começaram a circular notícias de que Cain havia chegado a supostos acordos financeiros com duas mulheres, para evitar que acusações de assédio sexual chegassem à Justiça.

Os casos teriam acontecido quando Cain era diretor da Associação Nacional de Restaurantes. O advogado de uma das mulheres envolvidas, Karen Kraushaar, disse que houve de fato um acordo entre as partes.

Outra mulher, Sharon Bialek, acusou Cain de ter tentado apalpá-la quando ela foi pedir ajuda para conseguir um emprego. Outra mulher, Ginger White, disse ter tido um caso com o republicano durante 13 anos.

Cain sempre negou todas as acusações e manteve o apoio da sua mulher Gloria, mas não conseguiu evitar que a sua popularidade caísse.

Além disso, um vídeo mostrando o pré-candidato confuso em uma resposta sobre a Líbia levantou dúvidas sobre sua capacidade de gerenciar a política externa americana.

Apoio no Twitter

Neste sábado, Cain voltou a se defender das acusações, mas anunciou que não concorrerá mais à Casa Branca.

"Eu estou suspendendo minha campanha presidencial por causa da contínua distração, a contínua dor causada a mim e a minha família", disse ele, em um discurso no seu comitê, em Atlanta.

"Estas acusações falsas e sem provas continuam sendo manipuladas pela mídia e no tribunal da opinião pública para criar uma nuvem de dúvida sobre mim."

Pouco depois do discurso, outros pré-candidatos republicanos anunciaram apoio a Cain pelo Twitter.

"Herman Cain forneceu uma voz importante. Suas ideias e energia geraram tremendo entusiasmo para o movimento conservador", escreveu a pré-candidata Michele Bachmann.

Já Newt Gingrich escreveu: "Eu tenho orgulho de conhecer Herman Cain e o considero um amigo e sei que ele continuará sendo uma voz importante em muitos anos". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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