Republicanos e papa criticam decisão pró-gay nos EUA

Os republicanos não pouparam críticas à decisão da Suprema Corte de Massachusetts, que considerou inconstitucional o dispositivo que proíbe o casamento de homossexuais, mas não escondem sua satisfação: o tema agora promete ser o divisor de águas da próxima campanha presidencial, onde George W. Bush, candidato à reeleição, vai posar como defensor da família e da moral. "O casamento é uma instituição sagrada entre um homem e uma mulher. E vou trabalhar com os líderes do Congresso para fazer o que for legalmente necessário para defender a santidade do casamento", afirmou Bush, que está na Grã-Bretanha, em visita oficial. Em Washington, o líder da maioria na Câmara, o republicano Tom DeLay, do Texas, anunciou que vai acelerar a votação de uma emenda constitucional, que define o casamento "apenas como a união de um homem e uma mulher", proposta por Marilyn Musgrave, republicana do Colorado. Segundo DeLay, essa é a única forma de "dar um jeito no Judiciário desgarrado de Massachusetts". Marion Harrison, presidente da Free Congress Foundation, que defende objetivos conservadores, disse que a questão vai mobilizar as pessoas "que têm moral". A decisão de Massachusetts dá ao país a impressão de que "Massachusetts caminha para se tornar Sodoma e Gomorra mais depressa que os outros Estados", disse ele. Tony Perkins, presidente do Family Research Council, declarou: "Precisamos emendar a constituição antes que esse Judiciário tirânico redefina o casamento e o condene à extinção." Mas não vai ser fácil aprovar a emenda constitucional. Segundo Barney Frank, democrata de Massachusetts, são necessários dois terços dos votos da Câmara e do Senado para aprovar a emenda e dificilmente os conservadores conseguirão reunir essa quantidade de votos. "Não creio que o Congresso vá fazer isso", disse o deputado, que é homossexual. De acordo com ele, legislar sobre casamento sempre foi atribuição de cada Estado e continuará sendo. "Os adversários do casamento gay devem sentar, tomar uma xícara de chá e se acalmar", afirmou. A Suprema Corte de Massachusetts deu prazo de 180 dias para que a Assembléia Legislativa altere as leis para permitir o casamento de homossexuais. No Vaticano, o teólogo Gino Concetti, que escreve para o L´Osservatore Romano, criticou duramente a decisão da Justiça de Massachusetts, que considerou "grave e insolente". "A atividade homossexual é uma desordem moral porque contraria a ordem natural, que estabelece a união fundada em relações heterossexuais", disse o religioso, cujas opiniões refletem a do papa João Paulo II. Em julho, o Vaticano considerou as uniões homossexuais uma ameaça à sociedade e em duas ocasiões insistiu para que parlamentares católicos votem contra leis que permitam o casamento gay.

Agencia Estado,

19 de novembro de 2003 | 19h03

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