Chuck Burton/AP
Chuck Burton/AP

Republicanos iniciam primárias pelo Legislativo

Objetivo da oposição a Obama é assumir em novembro controle do Senado, dominado pelos democratas; para isso, precisa de 6 novos representantes

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

06 Maio 2014 | 23h54

WASHINGTON - O Partido Republicano deu a largada na terça-feira, 6, à temporada de convenções que definirá os candidatos da legenda para as eleições legislativas de novembro e, mais uma vez, colocará em terrenos opostos integrantes moderados e a extrema direita reunida no Tea Party. Esta é a primeira etapa da disputa que decidirá o controle do Congresso e o destino dos dois últimos anos do governo Barack Obama.

Os opositores republicanos devem manter a maioria que detêm na Câmara dos Deputados e entram na campanha com o objetivo de reconquistar o controle do Senado. Para isso, precisam garantir as 45 cadeiras que possuem hoje e ganhar pelo menos 6, o que lhes daria 51 dos 100 votos da Casa.

Esse cenário seria um pesadelo para Obama, que enfrentaria seus dois últimos anos de mandato com um Congresso ainda mais hostil que o atual. Mesmo com um Senado democrata, o presidente não conseguiu aprovar medidas importantes de sua agenda legislativa, como a reforma do sistema de imigração ou o aumento do salário mínimo.

Apesar de as eleições estarem marcadas para 4 de novembro, os nomes da maioria dos futuros parlamentares serão definidos nas primárias dos partidos. Grande parte dos distritos eleitorais são claramente republicanos ou democratas. Quem vence a convenção do partido dominante, vence a eleição.

Por isso as primárias são tão disputadas, como uma campanha real, na qual há doações aos candidatos, declarações de apoios e anúncios na TV. No Partido Republicano, elas se tornaram uma guerra fratricida desde que a emergência do Tea Party, em 2009, desencadeou uma disputa sobre a identidade dos conservadores.

Candidatos que representam a extrema direita desafiam representantes tradicionais da legenda, o que os empurra para a direita. Os eleitores das primárias são mais conservadores que o eleitor médio do Partido Republicano e, para conquistá-los, candidatos moderados acabam assumindo posições mais extremas do que as usuais.

Carolina do Norte

O establishment derrotou nesta terça o Tea Party na primeira disputa interno do partido, com a vitória de Thom Tillis nas primárias da Carolina do Norte. Em novembro, ele enfrentará a senadora democrata Kay Hagan, que tenta uma difícil reeleição. Analistas acreditam que o Estado pode dar 1 das 6 cadeiras desejadas pela oposição a Obama.

Entre os pré-candidatos derrotados por Tillis estava Greg Brannon, favorito do Tea Party e um ferrenho opositor de qualquer intervenção estatal, a ponto de considerar o imposto sobre a propriedade uma forma de estatização e o imposto sobre a renda um modelo de "planejamento central", que ele comparou ao Holocausto e ao sistema soviético. O discurso é eficaz dentro do Tea Party, mas reduziria as chances dos republicanos com os eleitores moderados e independentes.

No Mississippi, o veterano Thad Cochran tenta se reeleger pela sétima vez. Seu mais forte adversário não é um democrata, mas Chris McDaniel, do Tea Party. Em sua campanha contra o senador, McDaniel apresentou documentos que mostram que a residência do rival não é mais no Mississippi, mas em Washington, que fica no Distrito de Columbia.

Senado

A disputa pelo controle do Senado será decidida por pequena margem. Apenas 33 das 100 cadeiras estão em jogo e 6 votos definirão o vencedor. O Center for Politics da Universidade de Virgínia estima que os republicanos têm chance de ganhar pelo menos 49 cadeiras, 4 a mais que as 45 atuais. Os democratas aparecem em desvantagem, com 48 - uma perda de 5. A maioria seria definida pelo resultado de três eleições vistas como incertas.

O instituto Cook Political Report acredita que os democratas devem perder três cadeiras e enfrentar disputas acirradas por outras seis. A situação dos republicanos parece mais confortável, com apenas duas posições em risco, avalia a entidade.

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