Republicanos lutam pelo apoio de cubanos

McCain é respaldado por formadores de opinião na Flórida, mas Giuliani também tem grande apelo

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

29 de janeiro de 2008 | 00h00

Como parte dos preparativos para as primárias republicanas de hoje na Flórida, John McCain, Rudy Giuliani, Mitt Romney e Mike Huckabee, os principais pré-candidatos do partido, passaram pelo restaurante Versailles, no bairro de Little Havana, para pedir a bênção dos líderes da comunidade cubano-americana e, de quebra, tomar um "cortadito" (café com leite e açúcar)."Queremos que o próximo presidente dos EUA nos ajude a voltar para Cuba, retomar o poder e recuperar o que perdemos", disse Luis de Varona, empresário do ramo imobiliário conhecido na comunidade cubano-americana. Varona e grande parte da população de origem cubana acreditam que McCain é o melhor candidato para defender os interesses da comunidade. O senador já ganhou o apoio de grandes formadores de opinião, como o deputado Lincoln Díaz Balart e o senador Mel Martínez. "McCain será o pior pesadelo de Fidel Castro", entusiasmou-se Martínez. Mas Giuliani também tem grande apelo na comunidade.O voto da população de origem cubana será um dos fatores decisivos da votação de hoje. A Flórida tem hoje 1 milhão de cubano-americanos, dos quais 770 mil estão na área de Miami. A maioria vota nos republicanos, em grande parte pelo apoio do partido ao embargo contra Cuba. A comunidade também se ressente da decisão tomada em 2000 pelo governo do então presidente Bill Clinton de mandar o menino Elián González de volta para Cuba, para ficar com seu pai.Os cubano-americanos, na maioria, são de linha dura em relação à imigração. A maioria deles ganha asilo político e green card rapidamente nos EUA e é bastante severa em relação a companheiros ilegais vindos de outras partes da América Latina. No entanto, cada vez mais jovens, muitos deles nascidos nos EUA, começam a apoiar também os democratas."Você é do Brasil? O que o seu presidente fez é uma vergonha!", disse Varona. "Ser amigo de um ditador como Fidel Castro, que assassinou milhares de pessoas, é como ser amigo do Hitler. Ah, e Che Guevara é outro assassino", acrescentou, pegando no pescoço da repórter para mostrar como Che teria matado seus companheiros.

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