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Republicanos perdem o rumo depois de derrota histórica

Republicanos perdem o rumo depois de derrota histórica

Opinião pública começa a mudar lentamente em favor de Obama e cobra um preço alto dos que se opuseram à reforma

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2010 | 00h00

Em julho, o senador republicano Jim De Mint, um dos estandartes do grupo conservador Tea Party, arriscou uma profecia. "Se conseguirmos deter (o presidente) Obama na reforma de saúde, será o Waterloo dele, acabaremos com os democratas", disse, referindo-se à derrota final de Napoleão para a coalizão liderada pelos ingleses, em 1815.

Nesta semana, David Frum, que escrevia discursos para George W. Bush e é um respeitado comentarista conservador, engoliu em seco e admitiu, em seu blog. "Sim, pode ser um Waterloo", ele disse. "Mas para os conservadores e republicanos." "Eles sofreram a derrota legislativa mais arrasadora desde os anos 60", escreveu.

Frum acabou demitido de seu emprego no instituto conservador American Enterprise Institute por sua posição contrária à visão de líderes republicanos. Mas o fato é que muitos começam a repensar a estratégia de se opor a qualquer projeto democrata.

Analistas apontam que o atual clima de euforia para os democratas deve-se tanto à aprovação da reforma, quanto ao erro de cálculo dos republicanos. O Partido Republicano passou meses massacrando o plano, tentando convencer os eleitores de que a reforma vai resultar em estatização do sistema de saúde e pior assistência médica.

Mas o fato é que, nos primeiros meses, a reforma trará muitos efeitos positivos, e essa campanha contra a lei, que os republicanos pretendem manter, pode sair pela culatra. A opinião pública começa a mudar, lentamente. Antes, 49% dos americanos eram contra a lei e 41%, a favor. Agora, segundo pesquisa Gallup-USA Today, 49% acham que a reforma é uma boa coisa e 40% se opõem.

Para os conservadores, será muito difícil ganhar apoio pedindo que se revogue uma lei que torna remédios de idosos mais baratos e proíbe as seguradoras de excluírem pessoas com doenças pré-existentes. As partes mais impopulares da lei, como a exigência de todos os americanos de terem seguro ou pagarem uma multa, só entram em vigor daqui a quatro anos.

"Os líderes do Partido Republicano chamaram de Armagedon a aprovação desta lei", disse Obama na quinta-feira, num evento em Iowa, diante de gargalhadas do público. "Seria o fim da liberdade. Então, depois de eu assinar a lei, comecei a olhar em volta, para ver se havia asteroides caindo do céu ou se a terra estava rachando. Acabou que estava um dia bonito. Os passarinhos estavam cantando, as pessoas passeavam no parque. O povo ainda tem seu médicos."

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BARACK OBAMA

PRESIDENTE AMERICANO

"Os líderes do Partido Republicano chamaram de Armagedon a aprovação desta lei. Seria o fim da liberdade. Então, depois de eu assinar a lei, comecei a olhar em volta para ver

se havia asteroides caindo do céu ou se a Terra estava rachando. Mas estava um dia bonito, os passarinhos estavam cantando, as pessoas passeavam no parque. O povo ainda tem seu

médicos"

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