Republicanos prometem rever Obamacare

Lei que obriga todo americano a estar coberto por um plano de saúde é considerada por democratas maior legado do presidente

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2014 | 02h02

Alvo dos republicanos desde sua aprovação, em 2010, a reforma do sistema de saúde promovida pelo presidente Barack Obama voltará a estar sob ataque em uma eventual vitória da oposição no Senado. Representantes do partido têm repetido que a revogação de ao menos parte do Obamacare estará no topo de suas prioridades.

O vice-presidente Joe Biden contestou ontem a narrativa embalada nas pesquisas eleitorais que apresentam um cenário de vitória dos republicanos nas eleições de hoje. Em entrevista à CNN, ele afirmou que os democratas manterão a maioria que possuem na Casa - são 53 votos de um total de 100.

Apesar do otimismo, ele disse que o governo e seu partido estão prontos para negociar com os republicanos para superar os impasses que paralisam Washington e impulsionar a agenda legislativa do país.

O confronto chegou ao auge em outubro do ano passado, quando o Partido Republicano recusou-se a aprovar o orçamento em uma manobra para tentar inviabilizar o financiamento do Obamacare. A decisão levou ao "fechamento" do governo por 16 dias e aumentou a rejeição ao Partido Republicano.

A expectativa de Obama e dos democratas era a de que a imagem de obstrução associada à oposição beneficiaria os candidatos governistas nas eleições de meio de mandato. No início do ano, o presidente afirmou que usaria sempre que possível os seus poderes executivos para realizar mudanças que não eram aprovadas no Congresso por resistência dos republicanos.

Popularidade em queda. As pesquisas de opinião divulgadas nas últimas semanas indicam que a estratégia não funcionou. A popularidade do presidente diminuiu, enquanto aumentou o porcentual de eleitores que se declaram dispostos a votar em candidatos democratas nos Estados onde a disputa está acirrada.

Mesmo que obtenham maioria no Senado, é improvável que os republicanos consigam aprovar legislação que acabe com o Obamacare.

O partido deve atacar dispositivos específicos da reforma, entre os quais o que obriga empresas com menos de 50 empregados a contratarem seguro-saúde, o que estabelece multa para os indivíduos que não tiverem seguro-saúde e o que dá subsídios governamentais para a cobertura de população de baixa renda.

No discurso que fez a eleitores de Detroit no domingo, Obama ressaltou a oposição do Partido Republicano a muitas de suas propostas. "Eles disseram não ao aumento do salário mínimo. Eles disseram não à legislação de pagamento justo para assegurar que mulheres recebam o mesmo que homens por fazer o mesmo trabalho. Eles disseram não a ajudar os jovens a refinanciar suas dívidas estudantis."

Alguns analistas acreditam que a eleição presidencial de 2016 pode ser um bom estímulo para os republicanos colaborarem com Obama na aprovação de pelo menos parte da agenda legislativa aceita pelo partido - o que pode incluir a reforma tributária e a autorização para negociação de acordos comerciais.

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