Republicanos querem cortar ajuda a palestinos

Se a nova legislação proposta for aprovada, países que votaram a favor na ONU também poderiam ser afetados

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2012 | 02h06

O reconhecimento da Palestina pelas Nações Unidas como Estado observador não membro da entidade pode ter um elevado custo financeiro para a administração de Mahmoud Abbas e também para a ONU. O Congresso dos EUA já começou a se movimentar para tentar congelar a ajuda tanto para os palestinos quanto para entidades internacionais que os aceitarem. Até mesmo governos estrangeiros, como o Egito e o Paquistão, correm riscos.

Nas últimas semanas, antecipando a aprovação da Palestina na Assembleia-Geral, três deputados republicanos apresentaram uma nova legislação para cortar pela metade o financiamento para os palestinos e também para as agências ligadas à ONU. Sem este dinheiro, programas internacionais podem ser cancelados e o governo de Abbas terá dificuldades para pagar os seus salários.

A Unesco, que no ano passado aceitou os palestinos como membros, sofreu neste ano para conseguir pagar as contas sem a contribuição de US$ 70 milhões dos EUA.

Não são apenas os palestinos e a ONU que são alvo dos senadores republicanos James Inhofe, John Barrasso e Mike Lee. Países estrangeiros que votaram a favor do reconhecimento palestino nas Nações Unidas podem ver a ajuda internacional americana ser suspensa. Nações pobres na África e na Ásia, que integram o grupo dos 138 que votaram pelo novo status da Palestina, terão um corte de 20% se a nova legislação for aprovada.

As atuais leis existentes no Congresso dos EUA preveem o congelamento imediato caso a Palestina seja aceita como membro pleno da ONU. O status de observador não é incluído e por esse motivo novas legislações para atingir os palestinos estão sendo propostas.

Além da proposta dos senadores republicanos, existem algumas um pouco mais amenas, de viés bipartidário, com maiores chances de passar. Uma delas, dos senadores Lindsey Graham, do Partido Republicano, e Charles Schumer, do Partido Democrata, tem mais chances de ser aprovada. Segundo o texto, os palestinos veriam seu financiamento ser suspenso caso levem adiante acusações contra Israel no Tribunal Penal Internacional. Além disso, a representação palestina em Washington poderia ser fechada.

O financiamento aos palestinos chegou a ser congelado por seis meses depois de setembro de 2011 depois de Abbas ter tentado, sem sucesso, o reconhecimento da Palestina como Estado-membro das Nações Unidas no ano passado. A iniciativa esbarrou no veto dos EUA no Conselho de Segurança. Para o atual status, de observador, havia a necessidade apenas de aprovação na Assembleia-Geral.

Anualmente, os EUA concedem cerca de US$ 600 milhões para os palestinos. Dois terços são destinados para o orçamento do governo. Outros US$ 100 milhões são para a segurança. A outra metade se dá pelo financiamento de organizações não governamentais e para a agência da ONU para refugiados.

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