Anna Moneymaker/The New York Times
Anna Moneymaker/The New York Times

Republicanos querem cortes no projeto trilionário de Biden para a infraestrutura

Plano de US$ 2,25 trilhões foi apresentado na quarta-feira, e quer abrir caminho para mudanças defendidas pelo presidente na economia e desenvolvimento de novas tecnologias

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2021 | 15h00

WASHINGTON — Lideranças republicanas no Senado dos EUA sinalizaram que poderão apoiar uma versão reduzida do plano apresentado pela Casa Branca para atualizar e melhorar a infraestrutura do país, uma proposta com custo de US$ 2,25 trilhões

Além de ações consideradas básicas em uma proposta do tipo, como obras em estradas, aeroportos e ferrovias, ela quer avançar em pautas cruciais para o presidente Joe Biden, como os investimentos em energia sustentável e pesquisas em setores estratégicos.

O ponto central das queixas dos oposicionistas é a fonte de recursos do pacote, um aumento de sete pontos percentuais no imposto sobre lucros das empresas, revertendo parcialmente uma política de corte de impostos adotada pelo ex-presidente Trump — na prática, uma posição que pode atrapalhar as negociações para sua aprovação, apesar dos democratas terem maioria no Senado.

Contudo, alguns republicanos apontam que poderão apoiar o plano caso ele sofra cortes — cortes drásticos, no caso. O senador Roy Blunt, do Missouri, chegou a dar um número que, em sua posição, seria mais palatável ao partido.

“Você poderia falar em algo em torno de 30% do total do pacote, e são 30% facilmente realizáveis”, afirmou, em entrevista à Fox News neste domingo. Blunt, que é presidente do Comitê de Política Republicana do Senado ainda sugeriu que itens “adicionais” do pacote, como os que tratam da pesquisa e aplicação de formas limpas de energia, deveriam ser deixados de lado, priorizando obras em “estradas, pontes, portos e aeroportos”.

Mesmo com as críticas ao plano, uma das grandes apostas de Joe Biden para recuperar o mercado de trabalho e dar início a mudanças estratégicas dos EUA, as declarações de Blunt mostram que há margem de negociação com os oposicionistas no Senado. 

Ela também é uma mudança de tom em relação à postura de outras lideranças do partido, como o líder da minoria, Mitch McConnell — na quinta, ele disse que não apoiaria a proposta como ela está escrita, “muito embora queiram lidar com a questão da infraestrutura”.

Apresentada na última quarta-feira, a proposta de Biden para a infraestrutura é vista como um dos grandes passos de Joe Biden para começar a cumprir sua agenda delimitada na campanha. Ao longo de oito anos, a ideia é construir uma economia focada no meio-ambiente, com o incentivo ao uso de fontes renováveis de energia, além de medidas para a redução da dependência externa dos EUA de tecnologias consideradas estratégicas, como a produção de semicondutores. Como apontou neste domingo o secretário de Transportes, Pete Buttigieg, ele poderia gerar até 19 milhões de empregos neste período.

“Não penso que nos próximos 50 anos vamos ver outro momento em que tenhamos essa combinação de uma necessidade provada, interesse bipartidário, impaciência generalizada e um presidente que está comprometido com isso”, assegurou Buttigieg à ABC.

A proposta de Joe Biden se segue à aprovação, no mês passado, de um pacote de estímulo econômico, de US$1,9 trilhão, que passou apenas com os votos dos democratas no Senado. Na ocasião, os governistas se viram diante de um impasse provocado por um senador do partido, Joe Manchin, que inicialmente se recusou a apoiar a proposta, mas foi convencido após horas de negociação. 

Nas próximas semanas, a Casa Branca deve anunciar uma segunda proposta para a infraestrutura, desta vez focada na educação infantil, nos serviços de saúde e cobranças em universidades. Segundo a Bloomberg, o plano, que deve ter valor perto de US$ 1 trilhão, deve ser financiado pelo aumento de impostos dos mais ricos.

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