REUTERS/George Frey
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Republicanos querem restringir venda de acessório que melhora armas semiautomáticas

Presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, disse que esta é 'claramente uma questão que precisa ser analisada'; outros políticos do partido admitiram publicamente interesse no tema ou disposição para votar a favor do veto

O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2017 | 13h07

WASHINGTON - O presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Paul Ryan, outros deputados e alguns senadores republicanos disseram nesta quinta-feira, 5, que o Legislativo americano deve avaliar uma lei para restringir a comercialização de bump stock, dispositivo que modifica armas semiautomáticas e permite que sejam disparadas rajadas com dezenas de tiros, de forma similar a uma arma automática.

Depois de massacre em Las Vegas, cresce demanda por acessório que potencializa armas semiautomáticas

Este mecanismo foi implementado por Stephen Paddock, autor do massacre em Las Vegas que deixou 58 mortos no domingo, em pelo menos 12 armas encontradas no quarto do hotel no qual ele se hospedou. O debate na Câmara e no Senado pode abrir caminho para um aumento da regulação no comércio de armas de fogo ou seus acessórios no país.

"Claramente isto é algo que nós precisamos analisar", disse Ryan em entrevista à emissora MSNBC, ao falar sobre a possibilidade da criação de uma lei para limitar a venda do acessório.

O deputado Robert Goodlatte, presidente da Comissão Jusidiária da Câmara, também afirmou que a questão será debatida em breve. "Vamos analisar esta questão", disse Goodlatte. Questionado se tinha alguma preocupação sobre a legalidade dos bump stock, ele disse que "tinha uma preocupação pessoal em relação ao que aconteceu (em Las Vegas)".

Um outro político republicano ligado à liderança do partido na Câmara afirmou, em condição de anonimato, que é cada vez mais crescente a disposição dentro do partido para abordar a questão - ainda que seja apenas para combater a percebeção de que o Congresso não faz nada para impedir massacres com armas de fogo.

Ele afirmou ainda acreditar que a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) "lutaria duramente contra este debate" e relembrou que foi durante o governo do ex-presidente americano Barack Obama que o Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos dos EUA tornou legal a venda deste dispositivo - o governo autorizou a venda dos bump stock e outros dispositivos similares em 2010 ao concluir que eles não violavam nenhuma lei federal. 

A admissão pública sobre a disposição de discutir a questão inclui também republicanos no Senado, como John Cornyn, número 2 do partido nesta Casa, e representa um surpreendente distanciamento da posição histórica do partido de se contrapor a qualquer tipo de regulamentação sobre a venda ou o porte de armas.

"Se alguém pode essencialmente converter uma arma semiautomática ao comprar um desses (acessórios) e a utilização deles pode causar este tipo de caos e de mortes em massa que nós vimos em Las Vegas, então isto é uma preocupação óbvia que deveríamos explorar", disse Cornyn.

"Eu tenho muitas armas e, como um caçador e um esportista, acredito que isso seja nosso direito, como americanos. Mas eu não entendo o uso deste bump stock e essa é outra razão para ouvir (argumentos) sobre esta questão", completou.

O republicano disse que já conversou com o presidente da Comissão Judiciária do Senado, o também republicano Chuck Grassley, que teria ficado interessado pelo debate. 

Ron Johnson, senador republicano pelo Wisconsin, foi outro membro do partido a dizer que "não tinha nenhum problema em (votar para) banir" os bump stocks. / WASHINGTON POST e AP

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