Nicholas Kamm / AFP
Nicholas Kamm / AFP

Republicanos rejeitam convocação de testemunhas em julgamento de impeachment contra Trump

Debates no Senado dos EUA foram até as 2h da madrugada, enquanto partido do presidente conseguiu obstruir as 11 requisições feitas pela oposição

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2020 | 10h02

O julgamento político contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou em uma nova etapa nesta quarta-feira, 22. Após o Senado ter debatido até altas horas da noite as regras do processo, o partido Republicano conseguiu bloquear todas as tentativas dos democratas de convocarem autoridades como testemunhas.

Antes de se concentrarem nas acusações atribuídas a Trump - como abuso de poder e obstrução ao Congresso -, os republicanos, que dominam a maioria de cargos do Senado por 53 a 47, enfrentaram durante 13 horas a oposição democrata, em um debate que foi até quase 2h desta madrugada (4h no horário de Brasília). 

Todas as tentativas da oposição de citar testemunhas-chave e obter documentos foram bloqueadas pela maioria republicana, um indício de como o processo deve transcorrer no Senado e que, provavelmente, terminará com a absolvição do presidente Trump, a tempo de ele buscar a reeleição em novembro deste ano.

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnel, apresentou ainda na noite desta segunda-feira, 20, um projeto de resolução sobre o procedimento, com o qual busca estabelecer restrições às provas da investigação e à participação de testemunhas, além de buscar acelerar o processo.

Neste cronograma, são estabelecidas três sessões de oito horas para a acusação, tempo equivalente para a defesa e depois 16 horas para os interrogatórios. Este seria um passo a passo adaptado, após a proposta inicial de sessões vespertinas com duração de até 12 horas, o que foi duramente criticado pelos democratas. 

A mudança de horários e agenda foi a única admitida por McConnell. Todas as outras 11 emendas apresentadas pelo chefe da bancada democrata, Chuck Schumer, que tentou convocar altos funcionários próximos a Trump para depor e obter documentos, foram rejeitadas sistematicamente, com os 53 senadores republicanos votando em bloco. 

"Verdade virá à tona"

Quatro meses após o surgimento do escândalo entre o atual governo dos EUA e a Ucrânia, e a dez meses das eleições presidenciais, os 100 senadores deram início ao impeachment de Donald Trump, que se tornou o terceiro presidente na história do país a ser julgado nesse processo, depois de Andrew Johnson, em 1868, e de Bill Clinton, em 1999.

Segundo a acusação, Trump tentou pressionar a Ucrânia a interferir a seu favor nas eleições de 2020, sugerindo ao presidente do país europeu que investigasse os negócios do filho de Joe Biden, um dos pré-candidatos democratas com mais chances de enfrentá-lo no pleito presidencial de novembro.

Os democratas que lideraram a investigação ainda acusaram o presidente de obstruir a investigação no Congresso ao recusar que seus principais assessores testemunhassem. De acordo com eles, Trump pressionou a Ucrânia retendo cerca de 400 milhões de dólares em ajuda militar para o país, que está em conflito com rebeldes pró-Rússia no leste de seu território.

Na terça, o processo transcorreu de acordo com um protocolo que determina que nem aplausos nem telefones celulares são permitidos na sala e que apenas água ou leite pode ser levado para dentro da câmara. Uma das figuras centrais foi o democrata Adam Schiff, responsável pela acusação contra Trump, que defendeu a convocação de testemunhas e a apresentação de documentos. 

"A verdade virá à tona. A questão é quando", disse Schiff aos senadores. O representante de Trump, Pat Cipollone, disse que um julgamento partidário equivale a "roubar uma eleição" e considerou que bloquear o testemunho de funcionários do alto escalão da Casa Branca é um "ato de patriotismo". "Eles querem tirar o presidente Trump das urnas", declarou, em referência às próximas eleições.

A senadora Elizabeth Warren, uma das pré-candidatas democratas ao pleito de 2020, expressou-se severamente depois que os republicanos enterraram uma emenda para citar o chefe de gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney. "Sejamos claros: não estaríamos aqui apresentando emendas às 22h se o senador McConnelly e os republicanos não estivessem tentando manipular as regras do julgamento político", afirmou Warren.

Por sua parte, Trump, que está em Davos para participar do Fórum Econômico Mundial, voltou a descrever o processo como uma "caça às bruxas que vem ocorrendo há anos". 

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