Mark Makela/Getty Images/AFP
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Republicanos rejeitam derrotas também em eleições legislativas

Apesar das reduzidas porcentagens obtidas, candidatos se apegam ao discurso de Trump e denunciam fraude 

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2020 | 20h27

WASHINGTON - O republicano Errol Webber nunca teve chance de vencer a disputa por uma vaga de deputado na Califórnia. Ele desafiou uma rival popular, a democrata Karen Bass. Com Los Angeles sendo tomada pelos democratas, não foi surpresa que os resultados mostrassem uma derrota de mais de 72 pontos porcentuais de Webber. Mas isso não impediu o republicano, um produtor de cinema de 33 anos, de questionar os resultados.

“Vou ao cartório de registro do condado de Los Angeles em Norwalk para auditar os procedimentos de contagem de votos”, escreveu Webber na segunda-feira. “Eu não vou aceitar o resultado. Cada voto legal precisa ser contado!”

Esse se tornou um grito comum entre os candidatos derrotados do Partido Republicano nos últimos dias, até mesmo dentro da Casa Branca. Enquanto Donald Trump alega fraude eleitoral, sem apresentar provas, e exige uma recontagem na eleição presidencial, sua retórica em ceder está contagiando candidatos do partido em eleições legislativas.

Muitos candidatos republicanos, apesar de terem sido derrotados por margens decisivas, seguiram o exemplo de Trump, rejeitando ceder e fazendo as próprias afirmações infundadas sobre as disputas pelo Senado e pela Câmara dos Deputados.

Em Maryland, Kimberly Klacik, candidata republicana à Câmara, declarou que sua campanha “investigaria” os resultados de sua disputa contra o deputado democrata Kweisi Mfume, que a derrotou por mais de 40 pontos porcentuais. Mfume já havia derrotado Klacik em uma eleição especial, em abril, após a morte de Elijah Cummings, que anteriormente ocupava a cadeira na área de Baltimore. 

No entanto, depois que Trump compartilhou um de seus anúncios provocativos de campanha no Twitter, a fama da republicana disparou, no início do ano, e ela parecia fadada a vencer o democrata. Desta vez, ela saiu ligeiramente melhor contra Mfume. Com 81% dos votos apurados, Klacik tinha pouco mais de um quarto dos votos e, segundo o Baltimore Sun, estava atrás por muito pouco. “Eu venci”, disse a republicana. “Mas encontraram 97 mil cédulas dele. Foi um roubo.”

O mesmo aconteceu com John James, republicano que disputou uma vaga de senador em Michigan, e foi derrotado pelo democrata Gary Peters. “Não aceito o resultado. A eleição foi roubada”, disse. / WP

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