Republicanos resistem à legislação

Aprovado pelo Senado americano em junho, o projeto de reforma da Lei de Imigração enfrenta resistência na Câmara dos Representantes, onde a oposição republicana tem maioria. O presidente Barack Obama colocou o tema no topo de sua agenda legislativa e pediu aos parlamentares que votem o assunto ainda neste ano, mas isso parece cada vez mais improvável.

O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2013 | 02h09

O projeto abre a possibilidade de que a maioria dos 11 milhões de imigrantes que vivem ilegalmente no país regularizem sua situação e obtenham a cidadania americana ao fim de um processo de 13 anos, durante os quais terão de cumprir uma série de exigências, pagar multas e contribuir com impostos.

Ao mesmo tempo, será reforçada a segurança e a vigilância na fronteira com o México, onde deverão ser construídos mais centenas de quilômetros de cercas para dificultar a entrada de imigrantes ilegais.

Protagonistas de uma oposição implacável a Obama, os deputados republicanos se recusaram até agora a votar o projeto como ele saiu do Senado, onde teve aval de parlamentares de ambos os partidos. Para eles, isso seria dar uma vitória ao presidente democrata, que teve amplo apoio da comunidade latina em suas duas eleições.

A oposição defende que a proposta seja fatiada em textos que tratem de questões específicas, que seriam aprovados individualmente. Na quinta-feira, Obama disse em entrevista ao Wall Street Journal que não se opunha ao fatiamento, desde que as propostas tratassem de todas as questões contempladas na reforma ampla.

O temor dos defensores do projeto único é que os republicanos aprovem apenas os pontos de interesse dos empresários, em especial o que regulariza a situação de trabalhadores, e ignorem a possibilidade de obtenção da cidadania, que traria com ela o direito de voto.

Os republicanos afirmam que a concessão da cidadania premiaria os que descumpriram a lei. Além disso, há a expectativa de que a grande maioria desses novos eleitores apoiem o Partido Democrata, tradicional defensor da reforma migratória.

Mas há uma grande pressão de contribuintes do Partido Republicano, de instituições empresariais e de representantes do setor agrícola para que a reforma seja aprovada. Além de ampliar a oferta de mão de obra pouco qualificada, a reforma teria um impacto positivo sobre o crescimento econômico e ajudaria a reduzir o déficit da Seguridade Social em razão do aumento do número de contribuintes.

Banho-maria. No mesmo dia em que Obama se mostrou receptivo ao fatiamento da reforma, o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, tentou afastar a percepção de que o assunto foi arquivado.

"A reforma da imigração morreu? Absolutamente não", declarou. Mas depende exclusivamente dele a decisão de colocar o projeto no plenário da Câmara, onde os democratas afirmam ter votos suficientes para aprová-lo. / C. T.

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