Republicanos tomam Senado e impõem derrota a Obama

Os candidatos republicanos tomaram o controle do Senado dos Estados Unidos nas eleições deste ano e irão controlar o Congresso nos últimos dois anos do mandato do presidente Barack Obama. A derrota dos democratas nas urnas impõe grandes desafios para o atual governo, que pela primeira vez terá de lidar com um Legislativo no comando de um grupo que se opõe firmemente às suas propostas.

Estadão Conteúdo

05 de novembro de 2014 | 09h17

Tradicionalmente, o partido do líder do Executivo sofre baixas nas eleições para o Congresso, mas a derrota imposta aos democratas excedeu expectativas. Os republicanos, que precisavam de seis novos membros no Senado para conquistar essa Câmara, conseguiram eleger sete representantes a mais. Na atual configuração, os democratas têm 44 senadores, contra 52 republicanos e um membro independente.

As disputas para o Senado no Alaska, Louisiana e Virginia irão para o segundo turno, mas uma vitória democrata em todos eles somente reduziria o controle dos republicanos, que ainda seriam maioria.

A votação dá força ao partido rival para concorrer à Presidência em 2016. Durante a campanha ao Senado, que custou inéditos US$ 4 bilhões para ambos os partidos, os republicanos já tratavam a disputa nas urnas como uma avaliação negativa do governo Obama e da possível candidata rival nas próximas eleições, Hillary Clinton. A campanha presidencial da oposição será especialmente encorajada pela vitória conquistada em estados como Flórida, Ohio e Michigan, onde os republicanos elegeram governadores nesta semana.

Na Câmara dos Deputados, apenas algumas corridas eleitorais foram verdadeiramente competitivas. Dezenas de deputados ainda não foram eleitos no primeiro turno, mas no resultado parcial os republicanos ganharam 12 novos integrantes nas mãos dos democratas, e só perderam um. Se ao fim do segundo turno a oposição conquistar 13 assentos na Câmara, os republicanos terão o maior número de representantes na Casa desde 1946.

A conquista da oposição vem na esteira da queda de popularidade do presidente Obama, que teve de se manter a parte das eleições para o Legislativo para não prejudicar potenciais senadores. A população norte-americana segue descontente com a recuperação econômica lenta do país e com notícias preocupantes como o recente surto de ebola e os avanços do grupo Estado Islâmico.

Os líderes republicanos também são impopulares, mas inevitavelmente é o presidente quem paga a conta mais alta pela insatisfação da população.

"As pessoas estão sedentas por uma nova liderança. Elas querem um motivo para serem esperançosas", disse o senador republicano Mitch McConnell, que deve se tornar o líder da maioria no Senado - uma das posições de maior prestígio em Washington. McConnell tem sido um crítico severo de Obama, mas também ajudou a fechar acordos importantes entre os partidos rivais, como a discussão sobre o calote dos Estados Unidos em 2013, que travou o governo federal.

Nestas eleições, estavam em disputa 36 vagas para o Senado, 435 assentos na Câmara dos Deputados e o governo de 36 estados norte-americanos. Fonte: Associated Press.

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