Charlie Neibergall/AP
Charlie Neibergall/AP

Republicanos usarão a TV para conter Trump

O encontro será promovido e transmitido, em parceria com o Facebook, pelo canal Fox News, com 10 dos 17 pré-candidatos republicanos; debate deverá ocorrer a partir das 22 horas de Brasília

O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 20h01

CLEVELAND, EUA - Em um debate que praticamente abrirá a campanha eleitoral nos EUA na noite desta quinta-feira, 6, os pré-candidatos republicanos à presidência tentarão conter o efeito Donald Trump. A dura franqueza do discurso do magnata tem preocupado líderes do Partido Republicano e muitos preveem um debate potencialmente combativo. 

O encontro será promovido e transmitido, em parceria com o Facebook, pelo canal Fox News, muito influente entre os conservadores americanos. O canal convidou 10 dos 17 pré-candidatos republicanos. O critério de escolha foi a média nas cinco mais importantes pesquisas de intenção de voto. O debate deverá ocorrer a partir das 22 horas de Brasília. 

Com duração de duas horas, o evento será realizado na arena de basquete de Cleveland, Ohio, local onde ocorrerá a Convenção Nacional Republicana, em julho. Os outros sete pré-candidatos participarão de um debate secundário, também transmitido pela Fox, um pouco antes. 

Seis meses após anunciar sua candidatura, o magnata do mercado imobiliário lidera indiscutivelmente as pesquisas entre os eleitores republicanos. Mas Trump tem causado controvérsia com ataques pessoais contra seus rivais e chegou a fazer comentários desrespeitosos sobre o histórico de guerra do senador John McCain e sobre imigrantes mexicanos. 

A imigração, aliás, é seu tema favorito: Trump prometeu construir um muro entre o México e os EUA para conter o fluxo de imigrantes ilegais e cita sistematicamente casos de homicídio para justificar a deportação deles, estimados em 11 milhões no país. 

O tema, porém, interessa diretamente ao eleitorado hispânico, o que mais cresce nos EUA. Analistas são unânimes ao afirmar que o Partido Republicano não conseguirá chegar à Casa Branca sem o voto desse grupo de eleitores. 

Por outro lado, para os partidários tradicionais e conservadores da legenda, o estilo obtuso e imprevisível de Trump é uma vantagem. Na quarta-feira, uma pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que a maioria desses eleitores acredita que o magnata poderá influenciar positivamente o debate. Para eles, sua presença desafia o “establishment” e abre o partido para novas ideias.

A pesquisa da Reuters mostrou que cerca de metade dos republicanos acredita que a presença de Trump significá que algo ofensivo será dito no debate, enquanto 42% disseram que ele dará um tom cômico a um evento que, de outra forma, poderia ser monótono. Para três quartos dos democratas, sua participação significará que algo ofensivo será dito, enquanto que 69% disseram que ele zombará do processo político. 

Trump é atualmente a primeira escolha de um em cada quatro republicanos, de acordo com as pesquisas. Segundo estatísticas divulgadas pelo Facebook nesta quinta-feira, 26 milhões de pessoas nos EUA participaram de conversas sobre o bilionário na rede social, muito mais do que sobre a pré-candidata democrata e ex-secretária de Estado Hillary Clinton – 12 milhões – ou o segundo republicano mais cotado, Jeb Bush – 5 milhões. “Vocês deram a ele o equivalente a US$ 1 bilhão de cobertura midiática, é tudo culpa sua, Charlie”, reclamou o senador Rand Paul hoje, respondendo ao jornalista Charlie Rose.

Democratas. O Partido Democrata, por sua vez, anunciou ontem a data de 13 de outubro para o primeiro debate na TV entre Hillary Clinton e os outros pré-candidatos. Em Nevada, Hillary, a favorita, enfrentará o senador independente Bernie Sanders, o ex-senador da Virginia Jim Webb, o ex-governador de Maryland, Martin O’Malley, e ex-governador de Rhode Island, Lincoln Chafee.

Será o primeiro de seis debates a ser realizados pelo partido que tentará manter a presidente dos EUA depois de dois mandatos de Barack Obama. O segundo debate está programado para 14 de novembro, em Iowa, o terceiro no dia 19 de dezembro, em New Hampshire. Esses serão os primeiros Estados a votar nas primárias para indicar o candidato presidencial do partido. / REUTERS e AFP

Vídeo: O sistema por trás do financiamento de campanhas políticas nos EUA


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