Reserva de gás pode piorar relação entre Israel e Líbano

A descoberta de grandes reservas de gás natural sob as águas do leste do Mar Mediterrâneo pode significar um enorme benefício econômico para Israel e o Líbano, ambos países pobres em reservas naturais - isso, se não provocar uma nova guerra entre eles.

AE-AP, Agência Estado

27 de julho de 2010 | 18h08

O grupo xiita libanês Hezbollah tem acusado Israel de planejar roubar gás natural de território marítimo do Líbano, e prometeu defender as reservas com seu arsenal de foguetes. Israel afirma que os campos que começa a desenvolver não se estendem até águas territoriais libanesas, uma alegação que os especialistas afirmam ser correta, mas a fronteira marítima entre os dois países - que oficialmente ainda estão em guerra - nunca foi precisamente demarcada.

"A necessidade do Líbano resistir dobrou hoje, à luz das ameaças israelenses de roubar os hidrocarbonetos libaneses", disse, no mês passado, o chefe do Conselho Executivo do Hezbollah, Hashem Safieddine. A necessidade de proteger as reservas "nos levará, no futuro, a reforçar nossa capacidade de resistência", acrescentou.

O líder do Parlamento do Líbano, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, alertou que Israel está "virando um emirado petrolífero e ignorando o fato de que o campo de gás se estende, de acordo com os mapas, dentro de águas territoriais libanesas".

As ameaças bélicas lançam uma sombra sobre o que poderia ser um ''boom'' financeiro para ambos os países, uma vez que as empresas de energia encontraram o que parecem ser reservas substanciais de gás natural nas águas libanesas e israelenses.

Exploração

Israel sai na frente na corrida para explorar as reservas. Dois campos submarinos, Tamar e Dalit, descobertos no ano passado, deverão começar a produzir, em 2012. Especialistas dizem que as reservas combinadas chegam a 5,5 trilhões de pés cúbicos (160 bilhões de metros cúbicos) de gás natural, e podem cobrir as necessidades de energia de Israel pelas próximas duas décadas.

Em junho, a Noble Energy, empresa norte-americana que faz parte do consórcio explorador que desenvolve os campos, previu inclusive que Israel terá gás natural para exportar à Europa e à Ásia, de um terceiro campo, o Leviatã, que deve ter até 16 trilhões de pés cúbicos (450 bilhões de metros cúbicos) de gás natural.

Quando Tamar começar a produzir, poderá reduzir os custos de energia de Israel em US$ 1 bilhão por ano, além de gerar US$ 400 milhões por ano em royalties aos cofres do governo. Os números apontam para uma economia total de US$ 40 bilhões e um faturamento de US$ 16 bilhões para o governo, sobre o valor total da vida útil dos campos. Esses números apenas crescerão se o poço de Leviatã começar a ser explorado.

Acusação

O comissário de Petróleo e Minas de Israel, no Ministério de Infraestrutura Nacional, Yaakov Mimran, disse que as acusações do Hezbollah são "sem sentido", e afirma que Leviatã e os outros dois campos estão em águas israelenses.

"Esse barulho acontece quando eles farejam o gás, mas até lá, eles ficaram quietos e sentados e deixaram o outro lado gastar o dinheiro", disse Mimran, ao diário israelense Haaretz. Mapas da Noble Energy mostram Leviatã em águas israelenses.

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