Arquivo pessoal
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Reservista do Exército de Israel, brasileiro pode ter que voltar ao Oriente Médio a qualquer momento

'A grande mobilização de reservistas e a suspensão dos treinamentos militares pelo país indicam uma grande preparação do Exército israelense', diz Henry Tkacz

Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2021 | 10h00

 

Na terça-feira 11, quando o ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, anunciou a convocação de 5 mil reservistas pela escalada de violência entre israelenses e palestinos, Henry Tkacz recebeu uma ligação do tenente-coronel responsável pela brigada de reservistas das Forças de Defesa de Israel (IDF), informando que sua presença poderia ser requisitada.

Morador de um bairro da região central de São Paulo - que prefere não especificar por razões de segurança -, o paulistano de 27 anos é sargento da reserva do Exército israelense e pode ter que retornar ao país no Oriente Médio. "O que me foi pedido foi para ficar em 'stand by', mas a grande mobilização de reservistas e a suspensão dos treinamentos militares pelo país indicam uma grande preparação do Exército israelense, talvez para uma entrada em Gaza".

Tkacz imigrou para Israel em 2014 por meio do Alliah (ou Aliá) - programa do governo israelense que concede cidadania a membros da comunidade judaica de outros países. Como estava em idade de cumprir o serviço militar, o brasileiro ingressou na IDF, onde ficou de 2015 a 2017, e alcançou o posto de primeiro-sargento de infantaria especializada. Desde que voltou para o Brasil, em 2019 - onde trabalha ministrando cursos de treinamento armado -, o reservista israelense-brasileiro não voltou a Israel. Uma viagem até estava marcada para o próximo mês, pois ele pretendia se vacinar contra a covid-19 no país, mas o plano pode ser antecipado.

"Com toda essa situação, estou na iminência de adiantar minha passagem para qualquer voo que tiver, a partir do momento em que os reservistas forem chamados. O momento de mobilização total do Exército, no caso dos reservistas, é chamado de fase 8. É uma mensagem de celular que quando os reservistas recebem, já sabem que têm que pegar a mala e ir para a base", explica.

Israel não esteve em guerra no período em que o brasileiro ficou ativo na IDF. Apesar disso, Tkacz participou de operações contra a infraestrutura de grupos como o Hamas, em Gaza, Cisjordânia e até mesmo no Egito. A vivência na linha-de-frente da IDF moldou a opinião do militar, que desde o início do atual conflito, tem compartilhado nas redes sociais informações que diz receber de fontes internas, endossando o direito de defesa de Israel.

O reservista deixa claro que considera a atuação de grupos como o Hamas "o grande problema" para a paz na região, principalmente por, segundo ele, usarem civis como escudos-humanos, o que justificaria o número de civis mortos em bombardeios israelenses, e prega o afastamento dos "palestinos de bem" do grupo. Mas Tkacz também aponta erros do seu lado da fronteira.  "Eu acredito que a solução também passa por uma mudança na mentalidade do governo israelense, de não instalar assentamentos judaicos em áreas que palestinos já ocupam. Isso não é certo."

Para ele, o caminho para uma futura paz passa pela reconquista militar de Gaza por Israel para combater o terrorismo, e, posteriormente, a gestão pelos palestinos. "Um grande passo para uma futura paz, seria uma retomada da Faixa de Gaza, com entrega da segurança à ONU, com um governo palestino fazendo a gestão do próprio espaço deles".

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