Resfriamento de usina no Japão avança, mas situação ainda é grave

Para governo japonês, situação está próxima de ser 'controlada'; número de mortos é de 8,6 mil

Ewerthon Tobace, BBC

21 de março de 2011 | 08h18

     

 

TÓQUIO - O trabalho de resfriamento dos reatores nucleares da usina de Fukushima Daiichi evolui, mas, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA), a situação continua grave.  

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"Houve uma evolução positiva nas últimas 24 horas, mas no geral a situação ainda é muito séria", disse Graham Andrew, da AIEA.

"Nós consideramos agora que chegamos a uma situação muito próxima de 'controle da situação'", afirmou o vice-secretário do gabinete japonês, Tetsuro Fukuyama.

Na tarde desta segunda-feira (horário local), as operações de resfriamento na usina foram suspensas temporariamente por causa de uma fumaça cinza que saía do reator número 3, o mais problemático de todos.

Os técnicos foram retirados do local. Mas até agora não foi detectada alguma alteração no nível de radiação ou na pressão do reator.

De acordo com um comunicado enviado à imprensa japonesa, nenhum técnico ficou ferido até agora.

Seriedade

Durante uma coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira, os técnicos da usina explicaram que a fumaça e o vapor que sobem das ruínas estão menos intensos e que o sistema de resfriamento já foi re-acionado em três reatores.

Entretanto, o grau de seriedade do acidente nuclear continua em 5, em uma escala internacional que vai de 1 a 7.

A crise, que no começo foi considerada local, é tratada como um problema de consequências potencialmente abrangentes.

Em Tóquio, o abastecimento de comida, água e combustível começa a voltar ao normal e a população japonesa tenta retomar as atividades cotidianas. Mas a tensão continua por conta da crise nuclear.

Alimentos contaminados

O governo japonês alertou a população que vive nas regiões mais próximas à usina para que não bebam água encanada, depois que foram detectados níveis altos de iodo radioativo no sistema de abastecimento.

Também houve contaminação de verduras e de água encanada na região da capital japonesa. Mas segundo o governo, não há riscos para a saúde por enquanto.

No entanto, o governo ordenou a suspensão das vendas de dois tipos de verduras e de leite em quatro províncias - Fukushima, Ibaraki, Tochigi e Gunma.

O número de vítimas do terremoto e do tsunami do último dia 11 continua subindo. Já são mais de 8,6 mil mortos e 13 mil continuam desaparecidos.

Dos corpos encontrados até agora, perto de 4 mil foram identificados.

As linhas de ônibus até em algumas cidades bastante afetadas já foram restabelecidas e muitos estão se dirigindo a estas regiões para buscar informações sobre parentes desaparecidos.

Outras centenas estão fazendo o trajeto oposto: deixando a região e seguindo para casa de familiares em outras províncias. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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