Resgate aumenta aprovação a Piñera

Presidente chileno lucra politicamente com operação e supera a desconfiança da população que crescia desde a posse, em março

Patrícia Campos Mello ENVIADA ESPECIAL / COPIAPÓ, CHILE, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2010 | 00h00

Vestindo macacão laranja e capacete de mineiro, um sorridente presidente Sebastián Piñera posicionou-se bem à frente da cápsula Fênix 2 quando emergiu à superfície o primeiro sobrevivente resgatado ontem. Ao lado de seus dois principais ministros, Piñera foi comentando os resgates dos quatro primeiros mineiros, diante das câmeras, em transmissão para mais de 110 países.

O presidente chileno aproveitou cada segundo da operação bem-sucedida que despertou a atenção do mundo todo. Para analistas, foi uma ofensiva de relações públicas genial. O resgate foi televisionado com ares de reality show e muitos dos mineiros agradeceram pessoalmente o presidente.

Segundo pesquisa do Centro de Estudos da Realidade Contemporânea, em setembro, a popularidade de Pinera atingiu 57%, três pontos porcentuais a mais do que em maio. Uma outra pesquisa, da Adimark, mostra que sua subiu 10 pontos em agosto - passou de 46% para 56%. O presidente tem agora o mais alto nível de aprovação desde que assumiu, em março. Segundo a pesquisa, o aumento de popularidade está diretamente relacionado ao resgate dos 33.

"Pode se ver no trabalho na mina uma nova maneira de governar, pela qual enfrentamos os problemas de forma decidida, com convicção, rapidez, urgência e bons resultados acompanhados, neste caso, da mão de Deus", disse a porta-voz do governo, Ena von Baer.

O ministro da Mineração, Laurence Golborne, também se transformou em uma das figuras mais populares do governo Piñera ao coordenar o resgate a aparecer na televisão todos os dias. Toda vez que chegava à mina, o ministro era aplaudido efusivamente pelos familiares dos mineiros.

Golborne está vivendo na região da mina há várias semanas e chorou quando fracassou a primeira tentativa de resgatar os mineiros por uma chaminé, em agosto. No entanto, houve também críticas a Piñera, que estaria explorando politicamente o evento ao programar o horário do resgate de acordo com a conveniência de sua agenda.

Para muitos chilenos, porém, o salvamento resgatou não apenas os 33 sobreviventes, mas também o governo de Piñera, que passava por momentos difíceis, com a aprovação em queda.

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