Jim Lo Scalzo/EFE
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Resgate econômico nos EUA se transforma em combate à pobreza, leia a análise

Projeto de Biden reduz a pobreza, de acordo com vários estudos, mas apenas por um ano, porque a maioria de suas provisões expira em 2021

Erica Werner / The Washington Post , O Estado de S.Paulo

11 de março de 2021 | 05h00

No início, os democratas descreviam o pacote de estímulo como resposta a uma emergência econômica. Mas a linguagem mudou para algo diferente: uma medida contra a pobreza. O deputado Ro Khanna chamou o projeto de “uma revolução ideológica em nome da justiça”. Outros democratas, incluindo a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, descreveram a ajuda como mais impactante que o Obamacare

As declarações corroboram as reclamações do Partido Republicano, de que o projeto trata mais de velhas prioridades progressistas do que ataca a crise econômica, que para muitos já estaria no fim. O esforço democrata, porém, levanta novas questões sobre o pacote, que é composto por ações únicas e de curto prazo que não promovem mudanças estruturais – a menos que as medidas sejam transformadas em permanentes.

O projeto de Biden reduz a pobreza, de acordo com vários estudos, mas apenas por um ano, porque a maioria de suas provisões expira em 2021. Os democratas pressionam para tornar definitivo alguns benefícios, mas encontrarão um Senado dividido. Os republicanos se queixam, chamando o pacote de uma “tentativa egoísta de endividar a próxima geração de americanos”. 

Ainda assim, os democratas não escondiam a satisfação com a aprovação do pacote, muito popular até entre os eleitores republicanos – embora não tenha obtido um único voto de um deputado do partido. A ajuda deve reduzir a taxa de pobreza de 12,3% para 8,3%, o que significa tirar 12 milhões de pessoas da miséria, segundo pesquisa liderada por Zachary Parolin, da Universidade Columbia.

O impacto vem de três dispositivos: benefícios para desempregados, pagamentos de US$ 1.400 por pessoa e crédito fiscal para famílias. Essas políticas representam um aumento de 20% na renda anual dos 25% de americanos mais pobres, segundo o Tax Policy Center. Algumas famílias receberão mais de US$ 10 mil em benefícios.

O tempo dirá se os democratas apostaram certo ou se enfrentarão a revolta da população, como preveem os republicanos. Por enquanto, os democratas argumentam que estão agindo para restaurar a fé na capacidade do governo de ajudar a população, mesmo que mudanças de longo prazo não ocorram. Após anos de frustração por não aprovar nada relevante na Câmara, eles acreditam que o sucesso do pacote será recompensado com votos nas urnas. 

*É JORNALISTA

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