Resgate frustrado opõe Itália à Grã-Bretanha

Roma diz não ter sido informada da ação, que resultou na morte de um italiano e um britânico sequestrados na Nigéria

ROMA, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2012 | 03h03

A tentativa de resgate de dois europeus sequestrados no noroeste da Nigéria que resultou na morte dos reféns levou ontem a um desentendimento diplomático entre Itália e Grã-Bretanha - que pôs em prática a operação frustrada em conjunto com o governo do país africano, na quinta-feira.

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, liderou o coro dos insatisfeitos: "O comportamento do governo britânico, ao não informar a Itália (sobre a ação) é inexplicável. É necessário um esclarecimento, tanto político quanto diplomático".

O italiano Franco Lamolinara, de 48 anos, e o britânico Chris McManus, de 28, ambos engenheiros, foram "assassinados" durante o resgate frustrado na cidade de Sokoto, segundo a versão de Londres. "Entramos em contato com os italianos enquanto a operação estava ocorrendo", disse o premiê britânico, David Cameron. O secretário de Defesa, Philip Hammond, afirmou que Roma sabia das informações de inteligência por trás da ação e foi informada da tentativa de resgate "quando a decisão de agir foi tomada".

O premiê da Itália, Mario Monti, demonstrou insatisfação pelo fato de a operação ter sido realizada sem seu consentimento. Monti convocou um reunião para discutir a questão com os serviços de inteligência e os ministros de Defesa, Interior e Justiça de seu país. "A credibilidade internacional da Itália está em jogo", afirmou o jornal La Repubblica. O Corriere della Sera qualificou o resgate frustrado como uma "humilhação" para o país.

O chanceler italiano, Giulio Terzi, e seu colega britânico, William Hague, afirmaram que seus países continuarão a combater o terrorismo conjuntamente.

Em maio, Lamolinara e McManus foram sequestrados por terroristas que, segundo o governo nigeriano, integram a milícia islâmica Boko Haram. / AFP e REUTERS

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