Resgate localiza 50 sobreviventes de desabamento em Bangladesh

Número de mortos chega a 304; multinacionais descartaram plano de segurança laboral

O Estado de S. Paulo,

26 de abril de 2013 | 12h20

Drama. Equipes de resgate trabalham dia e noite em Bangladesh. Foto: Kevin Frayer/AP

DACA- Ao menos 50 pessoas foram localizadas vivas nesta sexta-feira, 26, nos escombros de uma fábrica de roupas que desabou em Bangladesh, há dois dias. O número de mortes chegou a 304 e há 300 desaparecidos. Em meio à comoção causada pela tragédia, a Associação Nacional de Trabalhadores da Indústria Têxtil de Bangladesh acusou multinacionais com fornecedores no país de rejeitar um plano de segurança laboral por ele ser “caro demais”.

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“Encontramos 50 pessoas vivas em várias salas do terceiro andar depois de retirar os escombros", disse o subdiretor do Corpo de Bombeiros Mizanur Rahman. "Esperamos poder resgatá-los quando amanhecer.”

Ao todo, 2.044 pessoas foram resgatadas dos escombros do edifício, que ficava em Savar, nas proximidades da capital Daca, disse um porta-voz do Exército, Shahinur Islam, segundo o jornal The Daily Star.

Pela manhã, milhares de trabalhadores do setor têxtil foram às ruas de Daca para exigir a prisão dos donos do imóvel e das cinco oficinas que ficavam em seu interior. Os protestos, que ocorreram em vários pontos da capital, tornaram-se violentos e foram registrados enfrentamentos entre os manifestantes e a polícia. Além disso, cerca de cem carros ficaram destruídos.

O desastre voltou a evidenciar as más condições trabalhistas e de segurança que sofrem os trabalhadores de oficinas têxteis no país asiático, que abastece multinacionais ocidentais. Multinacionais ocidentais recusaram-se a pagar por inspeções de segurança mais rígidas no setor depois de um incêndio em uma fábrica têxtil ter matado 112 operários em novembro.

Um projeto patrocinado pelos sindicatos do setor previa um investimento de US$ 20 bilhões em segurança do trabalho. As grandes marcas de roupa, que compram os produtos de fornecedores locais, preferiram uma alternativa mais barata: inspeções privadas e treinamento de emergência.

“Não houve melhoras. As multinacionais dizem muitas coisas, que têm boas políticas, código de conduta, auditorias, mas essas coisas continuam acontecendo”, disse o diretor da associação de trabalhadores bengali, Amirul Haque Amin. Em Bangladesh, há 4 mil fábricas de roupas, muitas em condições precárias.

O plano acabaria com as inspeções do governo e estabeleceria um órgão independente, com poder de inspecionar e fechar fábricas fora do padrão e seria custeado pelas empresas, a um custo individual de até US$ 500 mil por ano. A proposta, no entanto, foi rechaçada pelas grandes marcas em uma conferência em Daca. Wal-Mart, Gap e outras descartaram o projeto por ser caro e torná-los vulneráveis a  processos judiciais . 

Por meio de comunicado o Wal Mart, que teria como fornecedor uma das empresas que operava o prédio acidentado, disse estar comprometida com medidas de segurança. “Continuamos comprometidos a promover medidas mais fortes de segurança nas fábricas e esse trabalho continua”, diz o texto.

Um vídeo divulgado nesta sexta-feira na internet mostra momentos em que policiais vistoriaram o prédio um dia antes do desabamento. A polícia constatou rachaduras e outros problemas estruturais e pediu a interdição do prédio. / EFE e AP

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