Resgate na Nova Zelândia ameniza luto por mineiros

O milagrosos resgate dos três adolescentes que passaram 50 dias à deriva no Oceano Pacífico amenizou um pouco as críticas pela morte dos 29 operários numa mina de carvão na Nova Zelândia. Bandeiras a meio-pau homenageavam ontem os mineiros no país, mas a mídia começou a dar com mais destaque a chegada dos garotos, da minoria étnica maori, em terra firme.

AP e REUTERS, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2010 | 00h00

Os jovens são das Ilhas Tokelau, um território administrado pela Nova Zelândia no sul do Pacífico. Samuel Perez e Filo Filo, de 15 anos, e Edward Nasau, de 14, chegaram ontem no Arquipélago de Fiji, a 1.300 quilômetros de onde desapareceram, e foram hospitalizados imediatamente com sintomas de grave desidratação, desnutridos, com insolação e queimaduras de grau elevado. Eles não falaram com a imprensa.

Ao chegar em Fiji, Tai Fredricsen, líder da tripulação do pesqueiro que encontrou os jovens, falou da emoção dos meninos ao telefonar para os parentes após o resgate. "Eles ficaram fortalecidos, era como se voltassem à vida, foi incrível", relatou.

"Apesar de fisicamente abalados, eles estavam otimistas, sorrindo. Assim que perguntei seus nomes e telefones para contatar parentes, responderam prontamente. Foi incrível", contou o marinheiro, elogiando a saúde mental dos adolescentes apesar dos quase dois meses à deriva. O trio aproveitou os computadores que estavam a bordo do pesqueiro para ouvir música e ver filmes. "Os adolescentes repetiam o tempo todo: obrigada por parar", disse Fredricsen.

Perez, Filo e Nasau desapareceram em 5 de outubro em um pequeno barco de alumínio, após um evento esportivo anual na região. A Força Aérea neozelandesa desistiu de procurá-los em 11 de outubro, e os jovens foram considerados mortos. Dias depois, as famílias promoveram cerimônias fúnebres em homenagem a eles.

O resgate aconteceu por acaso, já que o pesqueiro mudou sua rota. Os três sobreviveram comendo cocos que levaram, bebendo água da chuva e pescando. Eles também comeram uma gaivota que pousou no bote de 3,5 metros.

Mineiros mortos. Uma terceira explosão ontem deve dificultar o resgate dos corpos dos trabalhadores. Segundo o governo, a retirada deve levar meses.

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