EFE/ Hotli Simanjuntak
EFE/ Hotli Simanjuntak

Número de mortos em terremoto e tsunami na Indonésia passa de 1.400

Coronel do Exército indonésio diz que prioridades são enviar alimentos para as pessoas mais necessitadas, sepultar os corpos nas valas comuns e garantir a segurança do aeroporto; autoridades dizem que centenas de vítimas podem esta sob os escombros

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2018 | 04h16
Atualizado 03 Outubro 2018 | 04h42

PALU, INDONÉSIA - Mais de 1.400 pessoas morreram no terremoto e tsunami que atingiram a ilha indonésia de Célebes, onde nesta terça-feira, 2, prosseguem as operações de busca e as autoridades tentam evitar os saques.

A polícia deu tiros de advertência e usou gás lacrimogêneo para dispersar as pessoas que saqueavam lojas em Palu, cidade devastada pelo tremor de 7,5 graus de magnitude e o posterior tsunami na sexta-feira.

Os sobreviventes lutam contra a fome e a sede. Os hospitais estão saturados com o grande número de feridos. O balanço oficial chegou a 1.407 mortos, anunciou o governo nesta terça-feira. "Às 13 horas (3 horas de Brasília) registramos 1.234 mortos", afirmou Sutopo Purwo Nugroho, porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Catástrofes.

As autoridades do país também disseram que as equipes de resgate ainda não conseguiram chegar em todas as áreas afetadas pelo desastre. "Em Donggala, por exemplo, há alguns distritos onde temos que enviar suprimentos por helicóptero", disse o coronel Muhammad Thohir, do Exército indonésio.

Ele afirmou que gasolina e água potável estão chegando à ilha, embora ainda de forma insuficiente para as necessidades de dezenas de milhares de vítimas que perderam tudo. Segundo o militar, outras prioridades são enviar alimentos para as pessoas mais necessitadas, sepultar os corpos nas valas comuns e garantir a segurança do aeroporto, onde os voos comerciais devem ser retomados nesta quarta-feira, 3.

A Cruz Vermelha também trabalha para que chegue mais água potável até Donggala, uma das localidades mais afetadas, juntamente com Palu, no norte da ilha.

Nugroho também informou nesta terça, através do Twitter, que, pelo menos, dez caminhões-tanque, sob escolta policial, abasteceram Palu com gasolina.  "A comunidade está coletando combustível nas estações com latas e garrafas. Muitas bombas dos postos de combustível foram danificadas pelo terremoto e tsunami em Palu", explicou Sutopo. 

Cenas de desespero

A polícia, que até agora havia tolerado que sobreviventes desesperados entrassem em mercados fechados para pegar comida e água, prendeu 35 pessoas pelo roubo de computadores e dinheiro.

"No primeiro e segundo dia não havia estabelecimentos abertos. As pessoas estavam com fome, algumas realmente necessitadas. Isto não é um problema", disse o vice-comandante da polícia nacional, Ari Dono Sukmanto. "Mas depois do segundo dia, os alimentos começaram a chegar, precisam apenas de distribuição. Agora estamos restabelecendo a lei", completou.

O desespero é visível nas ruas de Palu, onde os sobreviventes escalam as montanhas de destroços para procurar objetos. Outros se reúnem nas proximidades dos poucos edifícios com energia elétrica ou entram em filas para receber água, dinheiro ou combustível, observados por policiais armados.

"O governo, o presidente, todos vieram, mas o que realmente precisamos é de comida e água", disse Burhanuddin Aid Masse, de 48 anos.

As equipes de emergência não têm equipamentos suficientes e os trabalhos são dificultados pelas estradas bloqueadas e os danos nas infraestruturas. Além disso, nesta terça-feira o país registrou dois tremores na costa, mas a centenas de quilômetros de Palu. 

O Exército lidera os trabalhos de resgate, mas após um pedido do presidente, Joko Widobo, ONGs internacionais também enviaram equipes à região.

O Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU calcula que 191.000 pessoas precisam de ajuda humanitária de emergência, incluindo 46.000 crianças e 14.000 idosos. A catástrofe que atingiu a cidade de Palu, onde moram 350.000 pessoas, também deixou 61.867 desabrigados.

Os mortos - muitos deles ainda não registrados ou com seus corpos ainda presos nos escombros - preocupam as autoridades. O clima na Indonésia acelera a decomposição dos corpos, um grave risco sanitário.

Para evitar um cenário ainda pior, grupos de voluntários começaram a enterrar as vítimas em uma grande fossa comum em Poboya, nas colinas que cercam Palu, com capacidade para 1.300 corpos. 

Caminhões lotados de cadáveres chegam ao local para os enterros em massa. Ao mesmo tempo, as equipes de resgate lutam contra o tempo para tentar encontrar sobreviventes entre os escombros.  Muitas pessoas passaram os últimos dias em busca de informações sobre parentes, nos hospitais e necrotérios improvisados.

A Indonésia, um arquipélago de 17.000 ilhas, fica no Anel de Fogo do Pacífico e é um dos países do mundo mais propensos a sofrer desastres naturais. / AFP e EFE

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