Sergei Karpukhin/EFE
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Resistência a ataque cresce e Obama marca anúncio sobre Síria para 3ª-feira

Presidente esbarra no ceticismo dos eleitores de seu país, que pressionam congressistas para que votem contra autorização pedida pela Casa Branca

Cláudia Trevisan - CORRESPONDENTE - O Estado de S.Paulo,

06 Setembro 2013 | 22h56

WASHINGTON - Enfrentando oposição crescente no Congresso a seu pedido de autorização para atacar a Síria, o presidente Barack Obama decidiu fazer um pronunciamento à nação na terça-feira, na tentativa de convencer uma cética opinião pública da necessidade de retaliar o regime de Bashar Assad, a quem atribuiu o uso de armas químicas.

A resistência entre os congressistas à pretensão de Obama aumentou nos últimos dias, com muitos deles sendo pressionados por suas bases eleitorais a votar contra o uso de força militar. Se a votação tivesse ocorrido nesta sexta-feira, o presidente seria provavelmente derrotado na Câmara dos Deputados, onde o opositor Partido Republicano detém maioria.

Segundo levantamento do Washington Post, 223 deputados estavam na tarde desta sexta-feira no grupo que vai votar "não" ou está "inclinado" a votar não. Isso supera os 217 votos necessários para a aprovação da resolução.

A situação é mais favorável a Obama no Senado, onde os democratas têm maioria. Mas o placar de 10 a 7 com o qual a Comissão de Relações Exteriores deu sinal verde à ação mostra que Obama enfrentará resistências no plenário do Senado, na próxima semana.

O presidente e seus aliados no Congresso esperam reverter a onda negativa no Congresso a partir de segunda-feira, quando os deputados voltam a Washington com o fim do recesso parlamentar. Apesar de muitos já estarem na capital, a maioria permanece em suas bases eleitorais. Quando voltarem, serão alvo da operação corpo a corpo comandada pelo governo e seus líderes no Congresso para tentar conquistar votos.

A ofensiva terá o apoio da Aipac, o grupo de lobby pró-Israel que tem enorme influência no Congresso. Segundo reportagem veiculada pelo site Politico - dedicado à cobertura do poder em Washington -, cerca de 250 líderes judaicos e ativistas da Aipac estarão no Capitólio na próxima semana para pressionar deputados e senadores a aprovar o ataque à Síria.

O principal argumento será o de que a inação dos EUA encorajaria o Irã em sua aspiração de ter armas nucleares.

Na terça-feira, Obama fará seu pronunciamento no Salão Oval da Casa Branca, um gesto solene usado por presidentes americanos em momentos graves. "Eu farei a melhor defesa que puder para o povo americano, bem como para a comunidade internacional, da adoção de uma ação necessária e apropriada", declarou Obama.

Quanto à conquista de votos no Congresso, o presidente disse que estava consciente das dificuldades quando anunciou a decisão de obter aprovação dos parlamentares para agir, há uma semana. Indagado duas vezes sobre se atacaria a Síria mesmo na hipótese de o Congresso negar a autorização, Obama foi evasivo e disse que não daria uma resposta direta. Apesar de acreditar que tem o poder de dar a ordem para um eventual ataque sem o aval dos parlamentares, ele disse que os EUA serão "mais fortes" se o presidente tiver apoio do Congresso.

Levantamento divulgado nesta sexta-feira indica que Obama não terá tarefa fácil na tentativa de convencer a opinião pública. A pesquisa Transatlantic Trends 2013 mostrou que 62% dos americanos e 72% dos europeus acreditam que seus países devem ficar fora do conflito na Síria.

Isso é que os parlamentares estão ouvindo de eleitores nos Estados. As dificuldades que os congressistas estão enfrentando ficaram evidentes no encontro que o senador republicano John McCain teve com integrantes de sua base eleitoral no Arizona na quinta-feira. A maioria dos participantes criticou a ação na Síria, da qual McCain é um dos maiores defensores.

"Nós não mandamos você para fazer guerra por nós. Nós o mandamos para acabar com a guerra", disse um eleitor, sob aplauso dos demais. Outro se pôs na frente do senador com um cartaz no qual estava escrito "Não bombardeiem a Síria".

Com eleições parlamentares no próximo ano, muitos deputados estarão mais sensíveis à pressão das bases do que aos apelos de Obama.

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