Resistência a Israel é menor que a prevista

Ou o Hamas está enfraquecido ou prepara ataques em centros urbanos

Gustavo Chacra, JERUSALEM, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2009 | 00h00

O Exército de Israel enfrenta menos resistência do que previa na ofensiva terrestre na Faixa de Gaza e conseguido evitar baixas do seu lado em um conflito que já deixou 971 palestinos mortos em 18 dias. Com tropas e tanques se aproximando do centro da mais importante cidade do território palestino, o principal comandante militar de Israel afirmou que ainda há muito trabalho a ser feito no combate ao Hamas. Correspondente do Estado fala do conflito Especialista comenta uso de armas ilegais Não estava claro ontem se a organização palestina, que voltou a lançar foguetes contra o sul de Israel, está enfraquecida e não consegue reagir ou se optou por esperar os israelenses no interior dos centros urbanos para iniciar confrontos mais duros e tentar sequestrar algum soldado. Autoridades militares israelenses afirmam que o grupo estaria disposto a usar suicidas para combater os militares de Israel. Desde o início do conflito, o Hamas não usou essa forma de ataque, comum durante a segunda intifada.Até agora, 13 israelenses morreram - 10 soldados, pelo menos 4 em episódios de fogo amigo. Entre as quase 1.000 vítimas palestinas, há cerca de 400 mulheres e crianças.Os bombardeios israelenses prosseguiram ontem, com os militares se aproximando do centro da Cidade de Gaza. Em um dos principais combates ontem, os israelenses mataram 23 militantes do Hamas e 7 civis. Reservistas já estão no território palestino, na sua maior parte ocupando posições deixadas por oficiais que seguiram para as proximidades das zonas urbanas. Israel está em posição para iniciar a terceira etapa da ofensiva, com a entrada massiva nos centros urbanos. Mas, segundo a agência de notícias Reuters, a troika israelense, composta pelo premiê Ehud Olmert, o ministro da Defesa, Ehud Barak, e a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, decidiu não lançar oficialmente a nova etapa, pelo menos nos próximos dias.Há alguns dias especula-se que os israelenses teriam começado a terceira fase, chegando a lançar panfletos alertando palestinos sobre os novos passos. Outros dizem que se trata apenas de guerra psicológica. Segundo analistas militares, a terceira fase poderia complicar os esforços de cessar-fogo e traria um grande risco político para os políticos em período pré-eleitoral. Tzipi e Barak disputam o cargo de premiê nas eleições parlamentares de fevereiro, cujo favorito é o conservador Binyamin Bibi Netanyahu.Israel afirma ter alcançado grande parte de seus objetivos em Gaza com os 2.300 ataques desde 27 de dezembro. "Nós já conseguimos atingir muito o Hamas, sua estrutura e seu braço armado afirmou", afirmou Gabi Ashkenasi, comandante das Forças Armadas. A Faixa de Gaza vive uma grave crise humanitária, de acordo com a ONU. Israel iniciou a ofensiva alegando que Hamas havia violado o cessar-fogo vigente desde junho. O grupo palestino diz que os israelenses desrespeitaram a trégua antes, ao atacarem militantes do grupo.PASSOS DE CRISE 19/12 - Expira a trégua de 6 meses entre Hamas e Israel 23/12 - Israel mata 3 militantes do Hamas em bombardeio 24/12 - Hamas dispara foguetes contra o sul de Israel 27/12 - Israel inicia bombardeios a Gaza, matando 230 3/1 - Exército israelense convoca reservistas e inicia ofensiva terrestre contra Gaza 6/1 - Israel atinge escola da ONU; mais de 40 morrem 11/1 - Forças israelenses entram nas áreas mais populosas

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