Resistência iraquiana começa a abalar moral das tropas americanas

A violência das imagens exibidas pelas emissoras de televisão sobre a guerra fez com que os fuzileiros navais a bordo do porta-aviões Theodore Rossevelt procurassem outras atividades e passassem os dias assistindo a filmes, jogando basquete ou fazendo qualquer coisa que desviasse a atenção.A atmosfera a bordo do Roosevelt mudou muito desde o início da guerra, há seis dias, quando os tripulantes acompanhavam com muita atenção e empolgação as notícias sobre o progresso dos combates.Durante as primeiras horas da guerra, os cerca de 5.000 soldados, pilotos e oficiais a bordo do porta-aviões esperavam que os intensos bombardeios causassem o rápido colapso do governo de Saddam Hussein.No entanto, seis dias depois, há indícios de que a batalha será mais extensa que o previsto. Além disso, as baixas entre os soldados norte-americanos afetaram o moral dos combatentes.Nos últimos dias, a guerra resultou em 20 soldados norte-americanos mortos, sete prisioneitos de guerra, segundofuncionários iraquianos, e 14 militares desaparecidos, segundo informações do Pentágono.Conscientes de que a viagem rumo a Bagdá não será fácil, é cada vez maior o número de tripulantes deste porta-aviões que opta por assistir a filmes ou programas esportivos em suas horas de folga. Os soldados temem que as imagens ao vivo transmitidas pela televisão abalem o moral das tropas."Os veículos de comunicação deveriam ser mais seletivos nomomento de editar as imagens", acredita o suboficial da Marinha Stephen Pascal, de 21 anos. "Algumas das coisas que eles mostram têm grande impacto emocional."Kirsten Betak, a psicóloga da tripulação, está preocupada com o impacto das imagens da guerra sobre os jovens, que compõem 75% dos militares na embarcação.Betak comentou que oito dos nove pacientes aos quais atende diariamente sabem o que está acontecendo, "mas não conseguem entender o motivo pelo qual nossos soldados estão morrendo".A psicóloga comentou que os jovens militares "eram muito ingênuos" no início. "Eles nunca haviam visto uma guerra deverdade. Tudo o que sabiam aprendenderam em filmes queglorificavam a guerra. Agora estão abalados porque estãosofrendo baixas e assistem a tudo isso ao vivo, pelatelevisão."Betak acredita que a situação se deteriorá quando foremrevelados os nomes dos mortos e desaparecidos. "Tenho certeza de que os tripulantes deste barco devem conhecer um ou muitos dos fuzileiros e soldados mortos." Veja o especial :

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