Bloomberg photo by Angel Navarrete
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Resistente e ambicioso, Pedro Sánchez trava nova batalha para seguir no poder

Primeiro premiê da Espanha a chegar ao poder após uma moção de censura parlamentar contra um mandatário, líder socialista tem agora o desafio de continuar no cargo após a votação legislativa, a terceira em três anos

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2019 | 09h33

MADRI - As pesquisas sorriem para o líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e atual primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, já que apontam que a legenda deve sair vitoriosa das eleições deste domingo, 28, apesar da necessidade de alianças com outros partidos para seguir no comando do país.

O pleito representa mais uma dura batalha para um político que passou por uma série de altos e baixos nos últimos anos, superando diversos obstáculos colocados pelos próprios correligionários.

No dia 1º de junho, aos 46 anos, Sánchez tornou-se o primeiro premiê da Espanha a chegar ao poder após uma moção de censura parlamentar contra um mandatário. Após uma aliança com os independentistas catalães e com o partido Podemos, o PSOE derrubou Mariano Rajoy, então líder do Partido Popular (PP), do poder.

O PSOE tinha apenas 84 deputados de um total de 350 do Congresso. A legenda, além disso, estava em baixa nas pesquisas. Mas Sánchez decidiu que aquele era o momento de jogar firme contra o PP, abalado por escândalos de corrupção, e de se unir a outros grupos parlamentares de esquerda para assumir a chefia do governo do país.

Jogador de basquete na juventude, Sánchez aprendeu que uma cesta no estouro do cronômetro pode decidir uma partida, uma lição que ele passou também a utilizar na política.

O PSOE governou a Espanha de 2004 a 2011, quando obteve um resultado muito ruim nas eleições e conquistou apenas 110 deputados no Congresso, dando espaço para que Rajoy ficasse no poder até 2018.

Na época um simples deputado, Sánchez foi eleito secretário-geral do PSOE em 2014 com a esperança de que os socialistas recuperariam em breve o comando do governo. Porém, os resultados eleitorais seguintes foram ainda piores: 90 deputados na votação de 2015 e 84 no realizado em 2016.

Após a disputa de 2015, Sánchez tentou um pacto de governo com o Ciudadanos, partido que emergiu para disputar a hegemonia da direita com o PP, mas acabou fracassando. Novas eleições foram convocadas, e Rajoy continuou como primeiro-ministro.

Em outubro de 2016, uma forte divisão interna do PSOE provocou a renúncia de Sánchez como deputado e líder do partido. Na época, ele se negava a permitir que os socialistas se abstivessem na votação sobre a formação de um novo governo, abrindo espaço para que Rajoy seguisse no cargo após quase um ano de administração interina no país.

Entretanto, Sánchez não desistiu da política e caiu na estrada para se reunir com militantes socialistas em todo o país. Em 2017, graças a esse apoio, voltou a ser eleito secretário-geral do PSOE, apesar da oposição de amplos setores da liderança do partido.

Doutor em Economia, o líder do PSOE chegou ao poder em 2018 e formou um governo que ele classificou como "feminista, ecologista, europeísta e social", com a maior proporção de mulheres em um gabinete ministerial do que qualquer outro país do mundo.

Apesar das sucessivas polêmicas que cercaram o governo e a oposição implacável de PP e Ciudadanos, Sánchez tinha a intenção de cumprir o mandato como presidente do governo até 2020 e promover várias políticas sociais, mas a fragilidade parlamentar do PSOE atrapalhou as pretensões do resistente político.

Sánchez foi obrigado a convocar eleições antecipadas em 15 de fevereiro após não conseguir os apoios necessários para aprovar o orçamento do governo para 2019.

Toda a carreira política do candidato está contada no livro "Manual de Resistência", publicado também em fevereiro. Nele, Sánchez lembra do "Não é não", postura que decidiu tomar para evitar que Rajoy continuasse governando, articulando assim uma aliança com independentistas bascos e catalães para assumir o poder.

Essa é a mesma expressão que Sánchez usa quando os independentistas catalães exigem um referendo sobre a separação da região, apesar das críticas de seus opositores, que o acusam de ser conivente com os separatistas para se manter no poder. / EFE

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