Resolução contra o Irã será votada em breve, diz França

Uma resolução que poderá impor novas sanções ao Irã está pronta para ser votada no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Os Estados Unidos estão pressionando o Conselho por uma ação rápida e o embaixador da França no Conselho, Gerard Araud, disse hoje que uma votação deverá ocorrer "em um prazo muito curto".

AE-AP, COM DOW JONES, Agência Estado

07 de junho de 2010 | 18h36

A versão final da resolução deverá proibir o Irã de desenvolver "qualquer atividade relacionada com mísseis balísticos capazes de transportarem armas nucleares"; proibir o Irã de investir em atividades como mineração de urânio; e proibir o Irã de comprar várias categorias de armamentos pesados, incluídos helicópteros de ataque e mísseis. Enquanto isso, o Conselho está tendo mais uma reunião nesta segunda-feira, pedida pela Turquia e pelo Brasil, que avalizaram um acordo de troca de Urânio por combustível nuclear para o Irã.

Mais cedo, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, disse que sua entidade ainda espera respostas oficiais de Estados Unidos, França e Rússia sobre o acordo nuclear firmado entre Irã, Turquia e Brasil. O texto prevê que Teerã envie urânio pouco enriquecido ao território turco, recebendo em troca combustível para seu reator na capital iraniana.

Falando na abertura do tradicional encontro de junho do conselho de governadores da AIEA, que reúne 35 membros, Amano disse que ele havia enviado a proposta de acordo para Washington, Paris e Moscou. O documento foi recebido pela AIEA em 24 de maio."Eu estou agora esperando as respostas deles, e nós continuaremos a nos consultar com todas as partes interessadas no assunto", afirmou Amano.

EUA, França, a Rússia e a própria AIEA formam o chamado Grupo de Viena. Segundo diplomatas próximos da AIEA, esse grupo já elaborou uma resposta ao pacto iraniano e deve entregá-la em breve a Amano.

Sob um acordo mediado pela AIEA em outubro, os EUA, a Rússia e a França originalmente propuseram receber a maioria do estoque de urânio enriquecido do Irã. Em troca, enviariam combustível para o reator de pesquisas em Teerã, que produz isótopos para uso médico. O Irã, porém, recusou-se a fechar essa primeira proposta e por fim acabou firmando um acordo alternativo com o Brasil e a Turquia. As potências ocidentais até o momento, têm criticado este acordo, afirmando que ele não faz o suficiente para impedir que o Irã utilize seu programa nuclear como uma fachada para produzir armas nucleares secretamente. O governo iraniano garante ter apenas fins pacíficos.

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