Resolução contra sírios emperra na ONU

Contestado pelas representações de China e Rússia, texto que contém condenação moderada não avança

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

As negociações no Conselho de Segurança da ONU para a aprovação de uma resolução condenando o regime de Bashar Assad pela violência na Síria não avançaram. Rússia e China discordam do texto e países como o Brasil também indicaram que devem ficar contra.

A resolução foi formulada em conjunto pela Grã-Bretanha, França, Alemanha e Portugal, com o apoio dos EUA. Os redatores buscaram elaborar um texto que pudesse evitar a oposição de chineses e russos, que têm poder de veto no conselho, mas a iniciativa foi insuficiente.

Moscou e Pequim, assim como Brasília, questionam alguns pontos da resolução. O texto pede o fim da violência, libertação de prisioneiros e reformas na Síria, mas não exige a adoção de sanções específicas ou a possibilidade de uma interferência externa, como foi no caso da Líbia.

Autoridades americanas e europeias estavam esperançosas de que as consultas no CS levassem a um consenso para a aprovação, mas acabaram fracassando. Os esforços tinham como objetivo convencer a China e a Rússia a apenas se absterem de votar, sem usar o veto. Na segunda resolução contra a Líbia, quando foi estabelecida uma zona de exclusão aérea, eles se abstiveram, assim como o Brasil.

Para uma resolução ser aprovada, são necessários nove votos dos 15 países integrantes do Conselho de Segurança e nenhum veto dos cinco membros permanentes. Mas o ideal seria conseguir a unanimidade que reforçaria a legitimidade da resolução. O Brasil, mesmo sem poder de veto, era considerado fundamental por ser uma democracia emergente. Mas a entrevista do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, esvaziou as expectativas das nações defensoras da resolução.

Além disso, Assad tem o apoio da Liga Árabe, o que não ocorria no caso de Muamar Kadafi. Os russos têm interesses estratégicos na Síria, como o porto de Latakia, que serve de entreposto de Moscou no Mediterrâneo. Os chineses também têm interesses econômicos.

Os EUA e os europeus, que já adotam sanções unilaterais, devem tentar novamente convencer na próxima semana a China, a Rússia e o Brasil, além de Índia e África do Sul, a votarem a favor da resolução.

A intensificação da violência, com a ofensiva das forças de Assad contra a oposição, devem aumentar a urgência. Diplomatas ocidentais acham que apenas o caso do Líbano, vizinho da Síria, é mais delicado e realmente a melhor opção seria a se posicionar contra.

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