Resolução da ONU condena Coreia do Norte por abusos de direitos humanos

Brasil, que habitualmente se abstém em votações parecidas, apoiou com EUA; embaixador norte-coreano ma organização critica moção

O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2014 | 16h23

GENEBRA - A Organização das Nações Unidas (ONU) votou na terça-feira uma resolução que condena a Coreia do Norte por abusos de direitos humanos e, pela primeira vez, recomendou processar os seus líderes por crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional (TPI). A resolução passou com 111 votos a favor, 19 contra e 55 abstenções.

O representante norte-corano na ONU, Choe Myong Nam, chamou a resolução de plano insidioso para desestabilizar o país de inimigos como os Estados Unidos. Choe anunciou a realização de mais testes com armas nucleares em resposta à decisão.

Choe, assessor do Ministério das Relações Exteriores nas Nações Unidas e em questões de direitos humanos, também disse que a resolução, escrita pela União Europeia (UE) e Japão e apoiada por 62 membros, incluindo Brasil (que tem histórico de abstenções em moções semelhantes) e EUA, foi baseada em uma "compilação de acusações polícias e contradições sem fundamento".

Apresentada na Assembleia-Geral que supervisiona questões de direitos humanos, a resolução foi o desfecho de um relatório devastador sobre repressão na Coreia do Norte conduzido por um painel das Nações Unidas de especialistas e publicado em fevereiro.

Teoricamente, a resolução significa que os líderes norte-coreanos pode um dia ser réus diante do TPI em Haia, na Holanda, que foi criado para dar justiça às vítimas de atrocidades, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

"Hoje (ontem), foi um dia significativo e, sim, os norte-coreanos estão genuinamente desapontados por essa razão", disse Sue Mi Terry, pesquisadora do Instituto Weatherhead East Asian e ex-funcionário de inteligência do governo americano especializada em Coreia do Norte. "Obviamente, Kim Jong-un tem um telhado de vidro."

Terry disse que a votação no Conselho de Segurança sobre encaminhamento ao TPI colocaria tanto a Rússia quanto a China em posições estranhas. "Se eles querem ser vistos defendendo o histórico do pior criminoso de direitos humanos do mundo, deixe-os fazer isso em público e pagar o preço", disse ela.

Moscou. O presidente russo, Vladimir Putin, defendeu ontem laços mais estreitos com a Coreia do Norte para aprimorar a segurança regional, um dia depois de conversar com um enviado pessoal do líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Autoridades do primeiro escalão da Coreia do Norte visitam Moscou esporadicamente, mas o país isolado está tentando se contrapor a uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que pede a atenção do Tribunal Penal Internacional (TPI) a Pyongyang por supostos crimes contra a humanidade. / NYT e  REUTERS

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