Resoluções são ignoradas desde 67

Após Guerra dos Seis Dias, ONU exigiu, em vão, saída de territórios

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

O Conselho de Segurança da ONU condenou a violação do cessar-fogo. Lamentou as mortes e a destruição causadas pelo fim da trégua. Reafirmou a necessidade de respeito às resoluções que pedem o fim das hostilidades. Exige que os Estados membros suspendam imediatamente atividades militares na área. Essa era a Resolução 240, de 25 de outubro de 1967, três meses após o fim da Guerra de Seis Dias. Um dos territórios onde o cessar-fogo não foi respeitado era justamente a Faixa de Gaza, que não foi citada nominalmente.Foi a última resolução antes de a ONU exigir a saída israelense dos territórios ocupados no conflito contra Egito, Síria e Jordânia. O texto da 242, de 22 de novembro de 1967, é até hoje usado para defender o fim da presença de israelenses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, ao exigir que "Israel se retire de todos os territórios ocupados no conflito", acrescentando que todos os Estados da área deveriam respeitar a soberania, independência e integridade territorial e política dos países da área.Em outros pontos, a mesma resolução pedia que fosse respeitada a navegação em águas internacionais e alcançado um acordo justo para a questão dos refugiados. Seis meses antes, o mesmo Conselho de Segurança havia aprovado a Resolução 237 que pedia ao governo de Israel que garantisse "a segurança e o bem-estar dos habitantes das áreas onde ocorreram operações militares" e facilitasse "o retorno dos que tiveram de sair quando eclodiram as hostilidades". Era a quinta resolução em menos 15 dias. Passados quase 41 anos, a Jordânia abdicou das reivindicações sobre a Cisjordânia e Jerusalém Oriental e assinou um acordo de paz com os israelenses. Mas essas mesmas áreas passaram a ser requeridas pelos palestinos, assim como a Faixa de Gaza.Assim como em 1967, a nova resolução da ONU pede um cessar-fogo, que foi violado. No caso das águas internacionais, Israel impede a livre navegação nos mares de Gaza, apesar de ter desocupado o restante do território em 2005, até retornar na semana passada. O argumento dos israelenses é que, se fosse liberado o controle marítimo, o Hamas usaria o litoral para traficar armas.

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