Luis ROBAYO / AFP
Luis ROBAYO / AFP

Respaldo externo a Maduro cai e o da oposição cresce

Para especialista, mudança ideológica na América Latina facilitou a penetração de algumas políticas dos EUA, que deixaram de lado o soft power

Alicia Hernández, Especial Para o Estado , O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2019 | 06h15

CARACAS - Seja ou não uma manobra americana, nos últimos anos caiu o apoio externo a Nicolás Maduro. Grupo de Lima, Estados Unidos e União Europeia não reconheceram o resultado das eleições de 2018. Agora, líderes europeus pediram a convocação de eleições transparentes no prazo de oito dias.

“A diferença agora é o apoio contundente de alguns países ao setor da oposição representado por Voluntad Popular e Vente Venezuela - partidos de Leopoldo López e María Corina Machado -, considerado a ala oposicionista mais radical”, diz a analista política Aimeé Nogal. “Não digo que os demais partidos não estejam acompanhando, mas o formato de rendição incondicional é desses partidos. E a iniciativa é assumida diretamente pelos EUA e pelo Grupo de Lima.”

Nesse sentido, para a especialista trata-se de um assunto geopolítico. "Na América Latina, sempre houve resistência a políticas vindas dos EUA. Quando isso acontece, de alguma maneira são ativados movimentos de esquerda e anti-imperialistas. Isso, por sua vez, faz com que o setor radical dos Estados Unidos aposte numa saída rápida, e todas elas são respaldadas pela força. Mas, essas saídas rápidas garantiriam estabilidade e governabilidade? Esse é o verdadeiro debate que deveria ocorrer", afirma. "De todas as transições de governo em andamento no mundo, as mais bem-sucedidas são aquelas que respeitam os vencidos e abrem possibilidades a sua participação."

Aimeé também fala de mudanças que ocorreram nos últimos anos: “No Brasil, Lula está preso e Bolsonaro chegou ao poder. Vem havendo uma mudança ideológica na América Latina que, aliás, era previsível. Ela facilitou muito a penetração de algumas políticas dos EUA, que deixaram de lado o soft power”.

Na primeira aparição pública de Guaidó após autoproclamar-se presidente em exercício, a venezuelana Raiza Maldonado suspirava: "Venho (aos protestos contra Maduro) com muita esperança de que o país mude e siga em frente. Isso faz eu me sentir viva".

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