Resposta americana a um disparo seria devastadora

Cenário: Roberto Godoy

O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2013 | 02h01

O s Estados Unidos podem retaliar pesadamente um eventual disparo de míssil feito pela Coreia do Norte. Ao reconhecer as capacidades de Pyongyang para construir cargas nucleares de pequeno porte - adequadas à instalação nas ogivas de ataque -, os americanos mudaram o perfil e, em certa medida, elevaram o risco de um conflito na região da Península Coreana. O documento da discreta e poderosa Agência de Inteligência da Defesa (DIA, na sigla em inglês) divulgado há dois dias, permite aos EUA interpretar um lançamento de qualquer dos mísseis principais do arsenal norte-coreano - os Musudan e os Taepodong - como potencial agressão nuclear. Isso implicará uma resposta devastadora. A primeira providência será interceptar o foguete na primeira metade do voo. A segunda, a paralisação da formidável máquina militar comandada por Kim Jong-un. A maneira rápida e eficiente de atingir esse objetivo é interromper o funcionamento do país. Provavelmente por meio do uso de armas atômicas de médio porte.

"Esse é o pior cenário, mas as coisas não acontecerão desse modo", disse ontem, em Washington, o analista Patrick Jones, do Centro de Estudos Estratégicos, para quem "a reação será limitada à derrubada do míssil e a um bombardeio convencional, focado em áreas estratégicas como as centrais de energia, as redes de comunicações e linhas de abastecimento, além, claro, de fábricas, instalações militares e da cadeia de comando e controle".

Os especialistas da DIA destacam na sua análise "moderada certeza" de que os dispositivos norte-coreanos de fato funcionem. As ressalvas técnicas envolvem a resistência dos componentes, particularmente os eletrônicos, às enormes exigências em voo a velocidades da ordem dos 15 mil km/hora, e à precisão da sequência de preparação para a separação da cabeça de guerra, a ativação do detonador e a explosão a uma altitude ideal, determinada para obter o melhor rendimento do artefato.

O arsenal da Coreia do Norte tem mil mísseis e 800 foguetes livres. O inventário dos modelos de alcance entre 4.000 km e 7.000 km é estimado em poucas unidades efetivamente operacionais. Há três anos, em 11 de abril de 2010, uma parada militar na capital do Norte exibiu dezenas de carretas transportando o impressionante Musudan. As imagens ampliadas revelaram que quase toda a frota era formada apenas por toscas maquetes - uma ação muito típica da dinastia Kim.

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