‘Resposta aos jihadistas deve ser pela lei’

‘Resposta aos jihadistas deve ser pela lei’

Ao “ato de guerra” cometido pelo terrorismo contra a França, o governo precisa responder por meio de outra guerra, travada pela lei e pelas palavras. Essa é a visão de Jean-Charles Brisard, especialista em Direito Internacional, em jihadismo e em financiamento de grupos terroristas. A seguir, trechos da entrevista:

Entrevista com

Jean-Charles Brisard, especialista em jihadismo e em financiamento de redes terroristas

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

13 de janeiro de 2015 | 08h48

O senhor acredita que os atentados de Paris foram um ‘ato de guerra’ contra a França?

Não. Não é a primeira vez que a França enfrenta a onda terrorista. Nos anos 80 e 90 já enfrentamos ondas similares, e sempre respondemos pela arma da lei. Mais uma vez, é preciso responder pela lei, além de enfrentar também a guerra de discursos e da propaganda jihadista. A guerra no terreno a França já enfrenta no Oriente Médio, contra o Estado Islâmico, e na África, contra derivados da Al-Qaeda e outros grupos jihadistas.

Como enfrentar o problema dos extremistas franceses (cerca de 1,4 mil, segundo o governo) envolvidos na ‘guerra santa’?

Este problema representa uma nova face do terrorismo. Por essa razão modificamos a legislação para enfrentar esse desafio novo. A nova lei, aprovada há um mês e meio, permite impedir a saída de suspeitos e o ingresso de estrangeiros que estejam em listas de jihadistas, por exemplo.

Ela visa esses homens ‘de perfil específico, com passagem por treinamentos no exterior’?

Sim. A lei nos permitirá reprimir o terrorismo individual e o “integrismo”, a apologia do terrorismo, que se manifesta muito na internet. Será possível bloquear páginas na web em que haja proselitismo jihadista, por exemplo. O serviço judiciário e policial está saturado pelo combate ao jihadismo na França. A amplitude da ameaça é sem precedentes, não só na França, mas na Europa. Nossos serviços precisam se adaptar.

Não apenas meios humanos, mas sobretudo tecnológicos.

Sem dúvida. Isso também está previsto na lei. Os serviços de inteligência poderão realizar investigações anônimas na internet, por exemplo, o que não era permitido até aqui.

Outra urgência é enfrentar a guerra de propaganda.

Isso é muito importante. Mas é preciso também travar a guerra das palavras, explicar, educar, esclarecer os jovens do risco que o jihadismo representa. A França não será transigente sobre seus valores, a democracia e a liberdade.

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