Resposta de Bruxelas à crise está sendo rejeitada nas urnas

Para analistas, o fato de grupos eurocéticos obterem bons resultados em eleições de países europeus é um alerta

ROMA, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2013 | 02h04

Se depender da autocrítica dos dirigentes da União Europeia e, em particular, da Alemanha, a eleição na Itália vai seguir sendo interpretada apenas como mais uma extravagância dos italianos. Mas, para analistas políticos, a votação deveria ser vista como mais um recado enfático: a resposta de Bruxelas à crise está sendo desautorizada pelas urnas a cada nova eleição.

A reportagem colheu esse sentimento de diferentes analistas da França, da Bélgica, da Suíça e da Itália nas últimas semanas, quando o "tsunami" Beppe Grillo chamou atenção dos estudiosos da União Europeia.

Depois do fortalecimento dos movimentos de extrema direita e do ressurgimento de um partido abertamente nazista na Grécia - capaz de arregimentar 17% dos votos -, é a vez de populistas mais "palatáveis" aproximarem-se da conquista do poder no Velho Mundo.

O primeiro sinal de advertência dessa nova tendência veio de Atenas em 2013, quando o radical de esquerda Alexis Tsipras quase venceu as eleições, tornando-se o maior líder da oposição com suas teses nacionalistas e anti-integração.

Agora, é a vez de Grillo tornar-se o maior partido da Itália, sem nem mesmo representar um partido organizado o suficiente para exercer o poder.

"A Itália é um grande país, a terceira maior economia da zona do euro, um membro fundador da União Europeia, e agora está em situação ingovernável", alertou ao Estado Marianne Dony, pesquisadora do Instituto de Estudos Europeus da Universidade Livre de Bruxelas.

"Há um símbolo importante aí: é o crescimento dos movimentos eurocéticos, em um número cada vez mais importante de Estados-membros."

Fracasso. Para a expert, discursos como o de Grillo, que militava contra a União Europeia e agora, mais moderado, quer "apenas" que a Itália abandone a zona do euro, mostram o fracasso da política de austeridade fiscal defendida por partidos conservadores, de um lado, e a ausência de alternativas de parte dos partidos progressistas.

"Com (Silvio) Berlusconi e Grillo, 50% do eleitorado italiano emitiu críticas muito importantes à UE", diz Marianne.

"Bruxelas precisa refletir: sua resposta está sendo a melhor para a crise? Ela está em sintonia com os anseios dos cidadãos? As críticas são consistentes. Mas qual seria a alternativa?" / A.N.

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