Resposta enérgica confere mais peso político à entidade

Pela 3.ª vez na história, OEA suspende um país para pressionar pela volta da democracia

Céline Aemisegger, Efe, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

06 de julho de 2009 | 00h00

A suspensão de Honduras da Organização dos Estados Americanos (OEA) por causa do golpe de Estado é a resposta mais enérgica dada pela organização nos últimos 20 anos em defesa da democracia no continente americano. Foi a segunda suspensão da história do organismo desde o afastamento de Cuba em 1962 - Havana foi suspensa do grupo por seus vínculos com o bloco soviético. Em 1991, o Haiti foi suspenso após o golpe de Estado do general Raoul Cedras, que depôs Jean Bertrand Aristide da presidência do país mais pobre da América após sete meses de governo. A OEA decidiu isolar o Haiti política e economicamente para forçar uma restituição do presidente eleito, ação que deu resultado. Foi a primeira vez que a organização conseguiu restituir um governante constitucional.No caso de Honduras, a entidade adotou medidas semelhantes, pressionando o governo de facto de Roberto Micheletti a restaurar o estado de direito e restituir o cargo a Manuel Zelaya, ameaçando e cumprindo a ameaça de suspensão, desta vez fundamentada na Carta Democrática Interamericana, assinada pelos países do bloco em 2001. Com a ação, a OEA, que muitas vezes foi criticada por sua atuação fraca e pouca relevância política, sai da sombra e faz valer seu peso na arena internacional. A OEA apresenta-se como a principal entidade que trata de fazer prevalecer a democracia no continente.O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que assistiu à assembleia extraordinária da OEA que decidiu pela suspensão, destacou que a questão hondurenha "é um desafio e, mais do que nunca, uma oportunidade para que (a OEA) seja realmente a Organização dos Estados Americanos". CONSEQUÊNCIASPara Honduras, a suspensão significa que não poderá exercer seu direito de participar da assembleia-geral, da reunião de consulta, dos conselhos, comissões e demais grupos de trabalho da OEA. Além do isolamento político e diplomático, isso implica na perda da ajuda econômica do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para a OEA, contudo, a suspensão também representa uma queda no poder de barganha. Com o afastamento, a entidade diminui sua capacidade de influenciar os acontecimentos em Honduras, cujo governo de facto informou no sábado que não desejava manter laços com o organismo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.